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Bao de lambari frito, do chef André Pionteke.
Bao de lambari frito, do chef André Pionteke.| Foto: Fernando Zequinão

Sem dúvida, o reality show Masterchef Brasil fez muitos brasileiros se interessarem pela cozinha. Para alguns, o interesse foi tanto, que a gastronomia virou uma nova paixão e a possibilidade de mudar de profissão e de vida. Já, para outros, os pratos produzidos a cada episódio aguçam a vontade de provar novos ingredientes e sabores.

Aqui em Curitiba, os fãs do programa e de gastronomia podem matar a vontade de saborear um “prato masterchef”. Quatro ex-participantes do reality têm projetos e empreendimentos gastronômicos na capital paranaense: André Pionteke, Vitor Bourguignon, Eduardo Richard e Rui Morschel. 

Flerte com a culinária oriental

Antes de participar, em 2018, da edição profissional do Masterchef, o curitibano André Pionteke foi o responsável por implantar o cardápio do extinto Tuna, restaurante de cozinha asiática que fez sucesso na cidade durante seus quatro anos de funcionamento. Também passou pelo Thai, de comida tailandesa, pelo C' La Vie, na época do chef Lênin Palhano, Cantina do Délio, Estofaria Bar, Hotel Bourbon e Epice, do chef Alberto Landgraf.

André Pionteke, na cozinha do Kitsune. (Foto: Fernando Zequinão)
André Pionteke, na cozinha do Kitsune. (Foto: Fernando Zequinão)| Fernando Zequinão

O Masterchef foi uma oportunidade para mudar de vida. “Queria mudança, mas nunca imaginei a repercussão que teria. Fui para me desafiar e mostrar o meu trabalho, o meu lado profissional”, conta. Ao longo da sua participação no programa, deixou claro que o seu estilo de cozinha flertava com o oriental. Por isso, não é surpresa que o restaurante assinado por ele, o Kitsune, traga essa referência.

A principal proposta da casa é preparar ingredientes locais utilizando técnicas da cozinha oriental. “Eu queria trazer uma nova visão. A base da culinária oriental é valorizar os produtos locais, então não faz sentido não valorizar o que temos aqui”, explica o chef. Um exemplo é o bao (sanduíche montado em pão cozido no vapor) de lambari frito, que valoriza o peixe bastante comum no nosso litoral.

Segundo Pionteke, o Kitsune é um projeto que já vinha sendo pensado e sonhado há um bom tempo. “Eu via uma necessidade de mercado de ter um bom restaurante de comida asiática quente, com os caldos e a cocção no vapor. Na maioria dos locais o foco maior sempre foi na comida fria”, explica.

Inaugurado em dezembro de 2019, o restaurante vem resistindo às dificuldades impostas pela pandemia de covid-19. “Resistimos muito pelos clientes, pelos depoimentos que recebemos e que nos motivam a continuar. Mas não foram meses fáceis”, afirma André. Outro desejo antigo do chef, que foi colocado em prática para driblar a queda de faturamento, é o empório. Agora, os clientes podem comprar as conservas produzidas no Kitsune para comer em casa e utilizar nos preparos caseiros.

Mais informações: @kitsune.cwb

>> André Pionteke, da Kitsune, lança menu-degustação para comer em casa

Curitibano de coração

Vitor Bourguignon sempre gostou da cozinha. Porém foi após a participação na quarta temporada do Masterchef que ele abraçou a profissão. A oportunidade trouxe novas possibilidades, como um estágio no Arturito, restaurante paulistano da chef e jurada do reality show Paola Carosella.

Diferentes versões de estrogonofe do recém lançado Strô. (Foto: Divulgação)
Diferentes versões de estrogonofe do recém lançado Strô. (Foto: Divulgação)

“Sempre fui fã do programa e a minha participação me trouxe muitos convites e abriu muitas portas. Fiz cursos e também pude participar de muitos eventos, além de ser chamado para uma nova edição”, conta o chef, mencionando a temporada chamada de “Masterchef A Revanche”, que aconteceu em 2019 e que o consagrou campeão.

Nascido em Brasília, mas curitibano de coração, Bourguignon abraçou a capital paranaense. “Moro em Curitiba desde um ano de idade. Amo a cidade, as pessoas e nunca quis sair daqui”, afirma.

Vitor Bourguignon: à frente de três empreendimentos em Curitiba. (Foto: Divulgação)
Vitor Bourguignon: à frente de três empreendimentos em Curitiba. (Foto: Divulgação)

O amor pela cidade tem gerado bons frutos, aliás. Hoje o chef tem três empreendimentos gastronômicos: o Smash Burgers, especializado em hambúrguer, como o nome entrega; o Boi and Beer, do qual se tornou sócio em 2020, que funciona como açougue e, também, serve petiscos, carnes e chope no local; e o recém-inaugurado Strô, especializado em estrogonofe. Além disso, Vitor também atua com serviço de catering para festas e eventos. “Meus outros três negócios são nichados. Então é no catering que eu trago mais das minhas influências, que transito por outras gastronomias e onde uso a minha criatividade Masterchef, digamos assim”, brinca.

Mais informações: @boiandbeer, @stro.go.noff e @querosmash

>> Aprenda a fazer o estrogonofe de mignon suíno do Strô, do Masterchef Vitor Bourguignon

Homenagem local

“Sempre tive vontade de cozinhar, desde criança”, afirma Eduardo Richard, participante do Masterchef Amadores 2019. E foi o programa que o possibilitou tirar esse sonho do papel e que trouxe ao Eduardo a esperada oportunidade para deixar de ser advogado. Esse pontapé dado pelo reality fez o cozinheiro deixar de ser amador, ir para a cozinha profissional e abrir o Lemí Bar, em sociedade com a esposa Raphaela Fonseca.

Eduardo Richard, na cozinha do Lemí. (Foto: Divulgação)
Eduardo Richard, na cozinha do Lemí. (Foto: Divulgação)

O nome é inspirado num grande artista e figura icônica da cidade: o poeta Paulo Leminski. “Não queria que fosse um bar temático. Mas o Leminski é um escritor que sempre me inspirou. Por isso, é uma homenagem despretensiosa, singela”, conta Richard.

Além da referência ao artista, o nome curto e simples entrega o conceito do Lemí, que pretende oferecer boa comida com personalidade, num local pequeno, em que as pessoas se reúnam com amigos para comer bem. O desejo inicial, no entanto, precisou ser adaptado em razão da pandemia.

No início de 2020, o chef alugou o espaço que abriga o bar. O local estava em reforma e só ficou pronto depois que o lockdown já havia começado. Com as restrições, os planos de abertura foram adiados e o Lemí iniciou as atividades em setembro do ano passado, apenas em formato delivery.

Além do formato de atendimento, também foi necessário modificar a proposta inicial do cardápio, que foi pensado para consumo no local, com porções mais elaboradas, como steak tartare e frutos do mar. Esse formato, segundo o chef, não funciona bem em delivery. “As pessoas querem comidas mais rápidas e, por isso, começamos a fazer hambúrgueres. Mas, assim que for possível abrir ao público, o cardápio do Lemí será outro”, avisa.

Mais informações: @lemi.cwb

Educação é o foco

Com formação na área de engenharia e carreira estabelecida no mercado financeiro, Rui Morschel morava sozinho e começou a cozinhar por necessidade. Foi após a participação na quinta edição do Masterchef que o curitibano abraçou as panelas de vez.

Chef Rui Morschel. (Foto: Divulgação)
Chef Rui Morschel. (Foto: Divulgação)

A passagem pelo programa abriu portas e possibilitou ao Rui conhecer e estudar mais a gastronomia.  A educação, aliás, é a sua principal motivação. “Meu mentor é o chef francês Laurent Suaudeau, fiz alguns cursos e trabalhei com ele, e sempre me interessei pela educação. Por isso, desde a minha saída do programa, venho me capacitando para ensinar melhor”, afirma Rui.

O principal projeto do chef, aliás, une essas duas áreas: gastronomia e educação. Em 2019, Morschel construiu uma van que tem uma cozinha móvel, para poder viajar e cozinhar Brasil afora. Assim nasceram a Van Cozinhar e um projeto de capacitação das merendeiras no Paraná. “A ideia é ensinar a otimizar os alimentos disponíveis, para que as merendeiras possam fazer mais com o que elas têm. A consequência disso é oferecer uma merenda melhor para os alunos”, explica.

O projeto começou em 2020, com um piloto na cidade de Campo do Tenente. Em paralelo, o chef também criou uma parceira com o Bom Gourmet, para valorizar os produtos locais durante as viagens pelo Paraná.  Mas, com a pandemia, foi paralisado. “Esse é o meu projeto de vida. Quando a situação melhor e for possível e seguro eu vou retomá-lo, sem dúvida”, afirma.

>> Veja o primeiro vídeo do Van Cozinhar, em parceria com o Bom Gourmet!

As restrições impostas pela Covid-19 fizeram Rui mudar os planos, mas sem deixar a educação de lado. Ano passado o chef lançou um curso online para ensinar as pessoas a cozinharem utilizando as principais técnicas profissionais. “O meu objetivo é que as pessoas aprendam a cozinhar melhor em casa”, diz. O projeto estava na gaveta e saiu do papel graças à pandemia.

Quem mora em Curitiba, em breve, terá a oportunidade de provar pratos desenvolvidos pelo chef. Rui realiza consultorias particulares e, também, para restaurantes e é o responsável por idealizar o restaurante da cervejaria Bastards Brewery, no Centro Cívico, que está em fase de obras. “Estou fazendo uma consultoria completa para o local, desde o layout, equipamentos, treinamento de equipe até o cardápio”, afirma. Segundo o chef, o menu, vai trazer pratos que harmonizem com as cervejas, entre porções, carnes e grelhados.

Mais informações: @ruimorschel e @finodoboi

Cão Véio

A hamburgueria do chef e jurado do Masterchef Brasil, Henrique Fogaça, funciona desde 2018 em Curitiba. Com decoração de temática canina e trilha sonora focada no rock’n’roll, a rede possui unidades em São Paulo, Goiânia e Brasília.

Fachada do Cão Véio, em Curitiba. (Foto: Hugo Harada)
Fachada do Cão Véio, em Curitiba. (Foto: Hugo Harada)| Gaezta do Povo

A primeira unidade do Cão Véio foi fundada em São Paulo em 2013 e segue o conceito de gastropub. “A ideia sempre foi oferecer algo descontraído, para compartilhar, tomar uma cerveja e ouvir música”, explica o chef, que divide a sociedade com Fernando Badauí, vocalista da banda CPM 22, e Marcos Kichimoto, produtor da noite paulistana.

Chef Fogaça entre os sócios, Fernando Badauí e Marcos Kichimoto. (Foto: Divulgação)
Chef Fogaça entre os sócios, Fernando Badauí e Marcos Kichimoto. (Foto: Divulgação)

O cardápio, com assinatura de Fogaça, traz nos nomes dos pratos, petiscos e lanches uma homenagem a diversas raças de cachorros, além dos nomes de cães do próprio chef. “Muitos nomes que estão no cardápio são homenagens aos cachorros que eu tive, como Zorro, Julieta, Granola, Catatau e outros”, conta. Entre os destaques dos hambúrgueres, está o “Dogue Alemão“, hambúrguer de carne bovina, costela suína desfiada, queijo gruyère, cebola caramelizada, tomate e broto de agrião, servido no pão de brioche.

Além dos sanduíches, o menu tem também diversas opções de pratos e entradas. O Fila Brasileiro é feito com filé mignon empanado na farinha Panko, recheado com queijo gruyère e gorgonzola e o Zorro também é à base de filé mignon, cortado em tiras e salteado em óleo de gengibre com tomate, cebola roxa, berinjela, pimenta dedo de moça e coberto com queijo gruyère.

Mais informações: @caoveiocuritiba

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