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sonho de valsa e ouro branco
O octagenário Sonho de Valsa: mesma receita há 80 anos.| Foto: Divulgação/Mondeléz

Ouro Branco ou Sonho de Valsa? Eita pergunta difícil. Mas todo mundo tem o seu favorito. Fabricante desses dois queridinhos dos brasileiros, a Lacta completa 110 anos em 2022 e compartilhou com o Bom Gourmet a história do Sonho de Valsa e do Ouro Branco. Vem conhecer um pouco mais sobre eles e depois, quem sabe, você decide o seu time.

Para começar essa conversa, vamos falar do Sonho de Valsa. Se fosse uma pessoa, certamente ele diria: “Não preciso entrar em disputas, sou um senhor octogenário”. Sim, o Sonho de Valsa está há 84 anos no mercado. Lançado em 1938, ele segue a mesma receita desde então: recheio de massa de castanha de caju, casquinha de wafer, cobertura de chocolate meio amargo e ao leite.

Inicialmente fabricado em um tamanho menor, vendido a quilo somente em bombonieres e consumido quase que exclusivamente por mulheres, em 1942 o Sonho de Valsa revolucionou o mercado. Voltou-se para o público masculino e passou a ser vendido por unidade. Para tanto, ficou maior e a embalagem ganhou os traços que carrega até hoje: letras amarelas e o casal dançando – ela de vestido amarelo e ele de smoking preto.

A música “Se acaso você chegasse”, cantada por Cyro Monteiro na época, embalava a propaganda do Sonho de Valsa nas rádios Brasil a fora. “Saborei um bombom com sua namorada”, convidava o locutor ao final. Pronto, um reinado começava.

A chegada do irmão mais novo

Sonho de valsa ou ouro branco
Ouro Branco: criado para ser o espelho oposto do Sonho de valsa. | Mondeléz/Divulgação

Menos romântico, mas tão revolucionário quanto, o Ouro Branco foi lançado 24 anos depois. Em 1962 chegou ao mercado para fazer o caminho inverso do irmão mais velho. Agora, a missão era conquistar o público feminino, que começava a ganhar mais espaço no mercado de trabalho na época.

Para tanto, pegou o mesmo formato do Sonho de Valsa, mas com outro sabores. A casquinha redonda de wafer ganhou como recheio uma massa de chocolate ao leite com flocos crocantes de arroz. Por cima, uma dupla camada de chocolate branco – que havia começado a ser fabricado pela Lacta no Brasil também em 1962.

Criado para ser um espelho oposto do Sonho de Valsa, o Ouro Branco foi lançado com uma campanha mais moderna. Agora na TV, a propaganda mostrava uma mulher que trabalhava fora, cuidava da casa, dos filhos, dava atenção ao marido. No meio da correria, ela conseguia um momento do dia para desfrutar seu Ouro Branco – foi em 1962, mas poderia ser hoje.

Embalagens do Sonho de Valsa e do Ouro Branco mudaram em 2011

Assim como o Sonho de Valsa, o Ouro Branco era embalado em papel alumínio e depois coberto por um polipropileno colorido e fechado por dois torcidinhos nas pontas. A embalagem clássica dos dois permaneceu praticamente igual por décadas. A primeira mudança significativa se deu apenas em 2011.

Depois de anos de estudo, uma série de avaliações junto aos consumidores e uma readequação da fábrica, o modelo antigo deu lugar a uma embalagem metalizada e selada nas pontas. Em 2019, o torcidinho característico foi abandonado de vez. Sonho de Valsa e Ouro Branco passaram a ser apresentados em uma embalagem flow pac -- totalmente selada.

Sonho de valsa ou Ouro Branco
Embalagem atual do Sonho de Valsa: embalagem perdeu o torcidinho das pontas, mas conserva melhor o produto. | Mondeléz/Divulgação

O novo formato não é tão romântico quanto o original, mas os ganhos em relação à conservação e o sabor do produto compensam. A embalagem selada mantém Sonho de Valsa e Ouro Branco crocantes por mais tempo e os protegem do calor e da umidade.

Dona da marca Lacta e fabricante do Sonho de Valsa e do Ouro Branco, a Mondeléz não revela qual dos dois é o mais vendido no Brasil – e eles só são vendidos por aqui. Mas pede: não os chamem de bombons. Há alguns anos, a empresa trata os dois pelo nome técnico: wafer recheado. Pode olhar na embalagem, eles estão denominados assim.

Mas claro que, em nossos corações, continuam a ser bombons.

O sabor de um Ouro Branco fresco

Os dois são fabricados em Curitiba. Na mesma planta. Mas em semanas diferentes. Estivemos na fábrica da Mondeléz (a maior do mundo) na semana do Ouro Branco e vimos centenas dessa delícia sendo preparadas em poucos minutos.

O processo começa pela divisão das placas de wafer. De um lado, a base. Do outro, a tampinha. Elas seguem por uma esteira para receber o recheio e depois se encontrarem no meio do caminho. Um robô faz esse match e o fechamento das placas, que segue para o corte.

Em seguida, eles ganham o primeiro banho de chocolate. Depois de alguns segundos em uma esteira refrigerada, recebem o segundo banho e mais um passeio na esteira a baixas temperaturas. Só depois de resfriados e de passarem por um processo de controle de qualidade, vão para a etapa da embalagem.

A repórter que aqui vos escreve provou um Ouro Branco fresquinho, recém-saído dessa linha de produção. Pela primeira vez na vida posso dizer em uma reportagem: me inveje. Embora a embalagem garanta uma boa conservação do chocolate, o sabor de um Ouro Branco recém preparado é inigualável.

Ainda assim, continuo a ser time Sonho de Valsa.

E aí, escolheu o seu favorito?

** Caroline Olinda comeu uma dúzia de Ouro branco e outra dúzia de Sonho de valsa enquanto fazia essa reportagem.

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