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Temporada de festas

Aprenda a escolher o vinho certo para as celebrações de fim de ano. E, na degustação às cegas do mês, Chardonnays chilenos

por Guilherme Rodrigues - guilhermer@gazetadopovo.com.br Publicado em 17/11/2011 às 00h
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Fim de ano é estação de festas. Natal e reveillon são as duas celebrações maiores e que também fecham o ciclo, seguido das relaxantes férias de verão. Mas até lá, os meses de novembro e de dezembro são pontilhados por happy hours, comemorações, coquetéis, almoços e jantares de congraçamento.

Sempre me fazem a pergunta: qual o melhor vinho para festas? A resposta é fácil: Champagne. Mas o rei dos espumantes não custa barato, especialmente no Brasil. Então, os bons espumantes das mais variadas procedências, inclusive os brasileiros, fazem a festa.

Para mim, o espumante deve ser fino, ou seja, mostrar vivacidade e frescor, sem pesar. Deve ser uma bebida estimulante, alegre, cordial, de presença e que desça feito seda. Sem excessos de perfumes, xaropes ou sensações grudentas. Gosto deles servidos frescos. Por volta de 9 graus C. Muito frios, passam a sensação de dureza e acidez. Mais quentes, perdem o equilíbrio e mostram um aspecto mais grosseiro e sem jovialidade.

Outra coisa importante que procuro valorizar é o ambiente da festa. Salvo quando uma ou outra grande garrafa for atração principal, no geral entendo que os vinhos servidos nas celebrações não devem roubar as atenções.

Além dos espumantes, os tintos e brancos a meio corpo, joviais e interessantes, fazem sucesso garantido. Estimulam as pessoas, mas não exigem atenção maior, deixando livres os sentidos para as conversas e o desfrute do ambiente. Bem escolhidos, de boa origem, podem também ser mais um bom assunto.

Mas, sobretudo atuam com charme e discrição. Se a pessoa presta a atenção no vinho, percebe ali nuances e sabores agradáveis e distintos. Se não presta atenção, simplesmente sente-se bem ao degustar a bebida. O vinho não pode ser um castigo, como esses chatos de festa que algumas vezes ancoram do nosso lado. Até porque dos chatos nos livramos depressa, mas o vinho marca presença durante toda a celebração.

O Natal é uma ocasião diferente das outras. Mais íntimo, familiar, mesa farta e muito diversificada. Para mim, ao lado dos demais vinhos, no Natal é obrigatório um bom vinho fortificado ou de sobremesa, pelo menos para o fim da celebração. Os bons exemplos, dentre eles avulta o Vinho do Porto.

São redondos, ricos, cremosos e revigorantes, como que arredondam e trazem harmonia aos variados sabores dos petiscos natalinos e combinam como nenhuma outra bebida com o espírito natalino. Há uma gama enorme, além do Porto: Sauternes, Tokay, Vin Santo, Madeira, Alemães de colheita tardia, Moscatéis de Setúbal, Muscat de Beaumes de Venise e assim por diante.

A imaginação e o bom gosto fazem a escolha. Desejo aos leitores grandes celebrações neste final de ano e que o vinho lhes traga ainda mais prazer de viver.

Chardonnay às cegas

Chardonnay é a uva vinífera branca mais nobre e difundida no planeta. Original da Borgonha, faz os maiores vinhos brancos secos, de preços estratosféricos, como o Montrachet e o Corton-Charlemagne. Conquistou o Novo Mundo, onde reina como casta branca de referência: Califórnia, Austrália, Nova Zelândia, Chile e Argentina.

No Chile, é um grande e constante sucesso. Vai muito bem em quase todas as regiões vinícolas daquele país. Especialmente bem sucedida nos terroirs mais frescos, como os vales de Casablanca, San Antonio e Leyda, próximos às águas geladas do oceano Pacífico Sul.

Felizmente foi-se embora o tempo dos Chardonnays pesados, meladões, excessivamente amadeirados e tropicais, butterscotch, tão amados e difundidos pelos críticos americanos nos anos de 1990. A vinicultura chilena soube rapidamente mudar de rumo e voltar-se, no que tange aos Chardonnays, para o frescor e limpidez.

Provamos às cegas 19 Chardonnays chilenos até R$ 80. Causaram ótima impressão. Vinhos límpidos, untuosos, cheios e de bom corpo e madeira usada com parcimônia. São brancos secos muito recomendados. Apresentamos aos leitores os seis campeões da prova. Devem ser degustados à temperatura por volta de 10 a 11 graus C. São os brancos mais universais com a comida. Ideais com frutos do mar, especialmente crustáceos; casam ainda perfeitamente com embutidos, coquetéis, legumes e verduras, queijos, carne de porco e mesmo aves, desde que sem molho pesado. A prova foi no restaurante Bistrô do Victor, com o serviço perfeito da sommelière Michele. Depois da prova, a chef Eva dos Santos serviu algumas de suas grandes criações.

Tags: degustação
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