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Defesa do consumidor

Teste de qualidade reprova 8 marcas de azeite vendidas no Brasil

A associação de defesa do consumidor Proteste testou em laboratório 20 marcas que se dizem extravirgem; 40% delas foram reprovadas por trazer informações inverídicas no rótulo

por Gazeta do Povo Publicado em 30/09/2016 às 11h
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Azeite de oliva. Imagem ilustrativa. Foto: Visual Hunt/Reprodução

Azeite de oliva. Imagem ilustrativa. Foto: Visual Hunt/Reprodução

Será que o azeite extravirgem que você compra no mercado é realmente extravirgem como informado no rótulo? Um teste de laboratório realizado pela associação de defesa dos consumidores Proteste com 20 marcas de azeite (nacionais e estrangeiras) vendidas no Brasil revelou que em 40% dos casos o rótulo traz informações inverídicas sobre o produto.

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Foram reprovadas no teste por não poderem ser considerados azeite de oliva as marcas Pramesa, Figueira da Foz, Tradição e Quinta d’Aldeia – em teste anterior da associação em 2013, as três últimas também foram desclassificadas. Já as marcas Qualitá, Beirão, Carrefour Discount e Filippo Berio são azeite de oliva, mas não podem ser considerados extravirgem.

Marcas reprovadas no teste da Proteste. Foto: Proteste/Reprodução

Marcas reprovadas no teste da Proteste: Pramesa, Figueira da Foz e Tradição. Foto: Proteste/Reprodução

O teste em laboratório averiguou se há impurezas, umidade, presença de metais, outros óleos que não sejam de oliva, entre outros critérios. Segundo a associação, nem todas as informações que estão na embalagem são confiáveis: o azeite de oliva, por exemplo, é um dos produtos difíceis de serem avaliados antes de provar.

Dos oito azeites reprovados, cinco são virgens, e não extravirgens, como diz o rótulo. Foto: Proteste/Reprodução

Dos oito azeites reprovados, cinco são virgens, e não extravirgens, como diz o rótulo. Foto: Proteste/Reprodução

No teste sensorial e de laboratório, as marcas aprovadas foram Cocinero, Olive, Cardeal, Gallo, La Española, Borges, Serrata, Taeq, La Violetera, Andorinha, Selmi Renata Superiore, Carbonell. A Cocinero, importada da Argentina e distribuída no Brasil pela Bunge Alimentos, foi considerada a melhor em custo benefício.

Na avaliação da Proteste, houve uma mudança positiva nas opções de mercado: as marcas La Española, Carbonell, Serrata, Gallo e Borges, considerados virgens no teste de 2013, foram comprovados como extra-virgem na edição de 2016.

A defesa

O Grupo Pão de Açúcar, que produz o azeite Qualitá afirmou em nota que “o produto é importado e que o fornecedor cumpre com todas as especificações legais e de qualidade necessários para a comprovação da pureza do produto” de acordo com a resolução normativa do Ministério da Agricultura (nº 1 de 30 de janeiro de 2012). O Grupo afirma, ainda, que a partir de setembro de 2016 muda as embalagens para verde escura.

A Dolagar, empresa responsável pelo azeite Figueira da Foz, disse em nota que “não há clareza sobre os métodos e metodologias e eventual interesse provado que motiva” a Proteste. Queixa-se que não foram notificados sobre a análise e que não sabem quais foram os lotes periciados.

Mesma questão foi posta em nota oficial pelo grupo Carrefour, que produz o Carrefour Discount. A empresa também afirma em nota que seus fornecedores são auditados anualmente e que a última análise foi em 29 de janeiro de 2016, quando os “testes laboratoriais comprovaram que o lote da marca própria era extravirgem, resultado este diferente portanto do apresentado pela Proteste”.

O Bom Gourmet entrou em contato as empresas que produzem ou distribuem os azeites Pramesa, Tradição, Quinta d’Aldeia, Beirão e Filippo Berio, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

No dia 8 de maio de 2018, a empresa Sales Indústria, que produz os azeites Quinta d’Aldeia e Quinta do Cais, informou que “a partir de dezembro de 2017, todos os azeites de oliva extravirgem são envasados no exterior e que os lotes dos produtos informados na reportagem se tratam de fiscalizações pretéritas e não se encontram mais disponíveis no mercado, bem como o produto quinta do cais, não é mais comercializado como azeite”.

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