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Para entender

Acordo entre Estados Unidos e Paraguai reduz oferta de energia de Itaipu ao Brasil

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, cobra conclusão das negociações com o Brasil até o final deste ano. (Foto: Daniel Piris/EFE)

O anúncio de um centro de dados para inteligência artificial no Paraguai, feito pelos Estados Unidos em outubro de 2024, deve impactar diretamente o setor elétrico brasileiro. O projeto prevê o uso intensivo de energia da usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu. Como o país vizinho passará a consumir uma fatia maior de sua cota de 50%, a disponibilidade de energia excedente para o Brasil tende a cair.

Como a parceria entre norte-americanos e paraguaios afeta o mercado brasileiro?

A principal consequência é a redução da oferta de energia de Itaipu para o lado brasileiro. Pelo tratado binacional, cada país tem direito a 50% da produção, mas, historicamente, o Paraguai consome pouco e vende o excedente ao Brasil por preços preferenciais. Com a instalação de grandes centros de processamento de dados para inteligência artificial, que consomem eletricidade de forma massiva, o Paraguai deve acelerar o uso de sua própria cota. Especialistas projetam que o país vizinho atinja o limite total de seu consumo em 2030, diminuindo o que sobra para o mercado brasileiro.

O novo projeto de inteligência artificial fere as regras do Tratado de Itaipu?

De acordo com especialistas do setor elétrico, a instalação do data center não fere o acordo internacional. A restrição imposta pelo Tratado de Itaipu ocorreria apenas se o Paraguai tentasse vender sua energia remanescente diretamente para outros países ou em leilões no mercado brasileiro sem seguir as regras vigentes. Como a estrutura física do centro de processamento de dados será construída dentro do território paraguaio, a energia é considerada de consumo nacional. A própria administração da usina afirmou que negociações dessa natureza não interferem na demanda de cada país.

Existe o risco de faltar energia ou de a conta ficar mais cara para o brasileiro?

Apesar da menor oferta vinda de Itaipu, o Brasil possui uma matriz energética diversificada, com fontes eólica, solar, termelétrica e biomassa, o que garante o suprimento da demanda. Curiosamente, a substituição da energia de Itaipu pode até baratear os custos para o governo federal. Isso ocorre porque o preço pago atualmente pela energia da usina binacional está acima dos valores operacionais e de mercado. Se as distribuidoras conseguirem contratar energia de outras hidrelétricas ou sistemas alternativos mais em conta, há uma possibilidade real de redução no valor das tarifas.

Qual é a situação atual das negociações sobre o anexo C do tratado?

As negociações para revisar o anexo C, que define as bases financeiras e a venda do excedente de energia, arrastam-se desde 2023, ano em que a dívida de construção da usina foi quitada. O presidente paraguaio, Santiago Peña, pressiona para que o acordo seja fechado até o fim de 2024, buscando vender o excedente a preços de mercado, e não mais pelos valores preferenciais atuais. Enquanto isso, entidades de defesa dos consumidores no Brasil cobram transparência e criticam o uso do orçamento de Itaipu para patrocínios diversos, o que acaba inflando o custo final da eletricidade.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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