Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Operação Vérnix

Dino nega liberdade a Deolane por suspeita de ligação com o PCC

Influenciadora é suspeita de participar de ocultação de patrimônio por meio de empresas de fachada.
Influenciadora é suspeita de participar de ocultação de patrimônio por meio de empresas de fachada. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Ouça este conteúdo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora Deolane Bezerra e afirmou não enxergar ilegalidades na decisão da Justiça paulista. A determinação foi assinada no sábado (23) e publicada neste domingo (24), após a defesa tentar reverter a prisão por meio de uma reclamação apresentada ao STF.

Deolane foi presa na última quinta-feira (21) durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A influenciadora é investigada pelos crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

Na decisão, Dino rejeitou conceder liberdade “de ofício”, sem provocação adequada das instâncias anteriores, e afirmou que ainda existem recursos pendentes nas etapas inferiores da Justiça. O ministro destacou que uma intervenção imediata do STF poderia atropelar o andamento normal do processo.

“De qualquer maneira, ainda que superado referido óbice, não detecto manifesta ilegalidade ou teratologia hábil à concessão da ordem de habeas corpus de ofício”, escreveu o magistrado.

VEJA TAMBÉM:

Segundo o Ministério Público, as investigações identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas e ligações frequentes entre Deolane e familiares de Marcola, apontado como principal líder do PCC. A influenciadora foi transferida na sexta-feira (22) para um presídio no interior paulista, onde segue presa sem prazo para soltura.

A defesa pediu a revogação da prisão preventiva ou a substituição por prisão domiciliar alegando que Deolane é mãe de uma criança de 9 anos. O Ministério Público se manifestou contra o pedido, e a Justiça decidiu manter a prisão diante da gravidade das suspeitas levantadas pela investigação.

Os promotores afirmam que a empresária teria disponibilizado contas bancárias para operações usadas na lavagem de dinheiro do grupo criminoso. O crescimento patrimonial da influenciadora, com ganhos superiores a R$ 140 milhões em apenas dois anos, também virou alvo da investigação após movimentações consideradas incompatíveis com as atividades declaradas por ela.

VEJA TAMBÉM:

A investigação aponta ainda que uma das conexões mais próximas da influenciadora seria com Paloma Camacho, sobrinha de Marcola e apontada como peça-chave na movimentação financeira da família do traficante. Ela teve prisão preventiva decretada, mas não foi localizada pela polícia na Espanha e passou a ser considerada foragida.

Os investigadores afirmam que o esquema funcionava após visitas de Paloma ao pai em presídios federais onde Marcola esteve custodiado. Segundo a apuração, ordens para divisão e transferência de dinheiro eram repassadas durante essas visitas, e parte das operações teria utilizado uma transportadora criada para facilitar negócios ilícitos da facção.

Durante a audiência de custódia, Deolane chorou e negou envolvimento com o esquema investigado. “Eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente”, afirmou.

Em nota, a defesa sustentou que a influenciadora é inocente e disse que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. O advogado Rogério Nunes classificou as medidas judiciais como “desproporcionais” e afirmou confiar na atuação do Judiciário.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.