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Uma das maiores e mais incomuns pedras preciosas encontradas no Brasil voltou ao mercado depois de não ter a negociação concluída em um leilão realizado no primeiro semestre de 2026. A esmeralda de 142 quilos, encontrada na Serra da Carnaíba, na Bahia, está novamente disponível para propostas, com valor de referência de R$ 79,8 milhões.
Batizada de Selena, a peça havia sido colocada em leilão pela Bid Leilão com lance inicial de R$ 79,8 milhões. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a compra não foi concluída e os proprietários decidiram manter a formação mineral disponível para negociações, sem um novo pregão formal.
A disponibilidade da pedra já foi anunciada nas redes sociais Bid Leilão. Neste momento, a cifra de R$ 79,8 milhões representa o valor de referência para as tratativas, e não um preço pelo qual a pedra já tenha sido efetivamente vendida.
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Esmeralda de 142 quilos tem valor de coleção
A dificuldade de transformar a Selena em uma joia convencional ajuda a entender o perfil restrito de possíveis compradores. A formação mede 94 centímetros de largura, 67 centímetros de altura e 28 centímetros de profundidade e pesa 142 quilos.
A peça não é simplesmente um enorme cristal de esmeralda que poderia ser retirado da rocha, cortado e distribuído em diversas joias. Conforme informações publicadas anteriormente pela Gazeta do Povo, trata-se de uma “canga de esmeralda”, uma formação composta por berilo e xisto, com cristais de esmeralda preservados em sua estrutura geológica original.
Em maio, em entrevista à Gazeta do Povo, o gemólogo e perito da Bid Leilão César Augusto Maia classificou a peça como uma “raridade absoluta” e um “testemunho geológico” singular. Segundo ele, a combinação entre características geológicas, dimensões e integridade coloca a Selena em uma categoria que vai além do mercado tradicional de joias.
Na prática, isso significa que o interesse pela pedra não está necessariamente relacionado à possibilidade de transformá-la em adornos.
A característica também reduz naturalmente o universo de potenciais compradores. Uma pedra desse tamanho exige espaço adequado, segurança e condições de conservação, além de representar um investimento de dezenas de milhões de reais em um objeto cujo principal atrativo é a raridade.

Por que a pedra ainda não encontrou comprador?
A razão exata para a negociação anterior não ter sido concluída não foi divulgada. De acordo com o Estadão, a chamada Lei do Sigilo impede a divulgação dos motivos relacionados à compra que não foi adiante. O processo de negociação também envolve análise de compliance, que verifica, entre outros pontos, a origem dos recursos, o recolhimento de impostos e a situação financeira do comprador.
Por isso, não é possível afirmar que o valor de R$ 79,8 milhões tenha sido o motivo pelo qual a venda não avançou. O preço, porém, é uma barreira natural para que a peça alcance um público amplo.
Ao contrário de uma joia de alto padrão, que pode ser adquirida por colecionadores e consumidores com diferentes objetivos, a Selena é um bem extremamente específico, destinado sobretudo a quem tenha interesse em mineralogia, pedras preciosas raras ou grandes peças de coleção.
O histórico recente de outras esmeraldas gigantes da Bahia mostra, por outro lado, que existe mercado para exemplares desse porte.
A Serra da Carnaíba já produziu pedras de dimensões excepcionais, e uma esmeralda de 69 quilos foi vendida em Salvador, em 2024, por R$ 50 milhões a um grupo árabe. Outra, de 137 quilos, alcançou R$ 175 milhões em um leilão promovido pela Receita Federal, segundo levantamento publicado anteriormente pela Gazeta do Povo.



