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Crianças Desaparecidas

Interpol entra nas buscas por irmãos desaparecidos há oito meses no Maranhão

Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidos desde janeiro, quando sumiram na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA).
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidos desde janeiro, quando sumiram na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA). (Foto: Wikimedia Commons )

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A investigação sobre o desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, em Bacabal, no Maranhão, ganhou uma nova frente nesta semana. O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal colocou à disposição da família ferramentas de cooperação da Interpol para auxiliar na localização dos irmãos, desaparecidos desde janeiro.

Segundo a advogada Nathaly Moraes, que representa Clarice Cardoso, mãe das crianças, o contato foi feito na terça-feira (8). A família deve se reunir nesta quarta-feira (9), em São Luís, com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional para entender como os mecanismos oferecidos pela organização poderão ser empregados no caso.

A entrada da Interpol nas buscas, porém, não significa que Ágatha e Allan tenham sido encontrados ou que exista confirmação de que tenham deixado o Brasil. Também não há confirmação de que os irmãos estejam entre as crianças resgatadas recentemente em uma operação nos Estados Unidos.

Crianças resgatadas nos EUA não foram identificadas como irmãos

A possibilidade de uma frente internacional ganhou atenção após uma operação realizada nos Estados Unidos resultar no resgate de 163 crianças. A situação passou a ser acompanhada pela família de Ágatha e Allan, mas não existe confirmação de que os irmãos estejam entre as vítimas localizadas no exterior.

Segundo informações divulgadas pela defesa, um representante do Consulado Brasileiro acompanha o caso nos Estados Unidos e mantém contato com autoridades locais. Algumas das crianças resgatadas ainda estavam em processo de identificação.

A advogada Nathaly Moraes também já havia procurado a Polícia Federal diante da possibilidade de que o desaparecimento pudesse ter relação com tráfico de pessoas. Segundo ela, inicialmente não havia elementos suficientes para justificar a atuação federal sob essa hipótese.

A suspeita de tráfico humano, no entanto, não foi confirmada pelas autoridades como causa do desaparecimento dos irmãos. Da mesma forma, a oferta de apoio da Interpol não representa uma confirmação de que Ágatha e Allan tenham sido levados para outro país.

Em entrevista ao G1 Maranhão, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, afirmou que continua esperando pelo reencontro com os filhos. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos”, disse.

Oito meses depois do desaparecimento, o paradeiro dos irmãos continua desconhecido. A partir da nova frente de cooperação, a expectativa da família é ampliar o cruzamento de informações e as possibilidades de localização caso surja alguma pista fora do território brasileiro.

Interpol amplia possibilidade de cooperação internacional

Em vídeo publicado nas redes sociais, Nathaly Moraes afirmou que a família recebeu diretamente do Núcleo de Cooperação Internacional a informação de que as ferramentas da Interpol poderiam ser utilizadas no caso.

“Hoje nós recebemos o apoio, recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol para nos ajudar. E até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, disse a advogada.

Segundo Nathaly, os recursos podem ser utilizados tanto na busca pelas crianças quanto em eventual processo de repatriação, caso elas sejam localizadas em outro país. A advogada afirmou que a possibilidade de cooperação alcança 197 países.

A Interpol dispõe de mecanismos específicos para casos de pessoas desaparecidas. Entre eles está o Yellow Notice, um alerta internacional destinado a ajudar na localização de pessoas desaparecidas, especialmente menores de idade.

O instrumento pode ser utilizado quando há possibilidade de que a pessoa tenha viajado ou sido levada para outro país. A publicação de um alerta desse tipo depende de solicitação das autoridades nacionais competentes.

A reunião na Polícia Federal deve detalhar quais ferramentas poderão ser empregadas no caso dos irmãos. A cooperação internacional também pode permitir o compartilhamento de informações entre autoridades de diferentes países caso apareçam pistas relacionadas ao paradeiro das crianças.

Irmãos desaparecidos no Maranhão sumiram em janeiro

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, depois de saírem para brincar na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís.

Os irmãos estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, então com 8 anos. Os três desapareceram na mesma ocasião. O menino foi encontrado com vida três dias depois, em uma área de mata, debilitado e desorientado. Desde então, não houve informação confirmada sobre o paradeiro de Ágatha e Allan.

As buscas mobilizaram forças de segurança, equipes especializadas e voluntários. Houve operações por terra, água e ar, com uso de equipamentos como drones e cães farejadores. Em determinado momento, centenas de pessoas participaram simultaneamente das buscas pela região.

O caso permanece sob investigação e, de acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão, detalhes não são divulgados porque o procedimento está sob segredo de Justiça.

Ao longo dos meses, diferentes hipóteses foram consideradas pelas autoridades. A possibilidade de que as crianças estivessem perdidas na mata chegou a ser investigada, assim como outras circunstâncias relacionadas ao desaparecimento. Até o momento, porém, não foi apresentada uma explicação definitiva para o sumiço dos irmãos.

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