
Pesquisadores da UFSM identificaram o Isodapedon varzealis, uma nova espécie de réptil pré-histórico, a partir de um crânio fóssil encontrado em Agudo, no Rio Grande do Sul. O animal viveu há 230 milhões de anos e reforça a conexão histórica entre a fauna da América do Sul e da Europa.
O que caracteriza a nova espécie Isodapedon varzealis?
O Isodapedon varzealis pertence ao grupo dos rincossauros, répteis herbívoros que possuíam bicos pontiagudos semelhantes aos de papagaios. O diferencial desta espécie é a simetria de suas placas de dentes no maxilar, uma característica rara entre seus parentes, que geralmente apresentam dentição assimétrica. O nome Isodapedon significa justamente 'placas dentárias iguais', enquanto varzealis homenageia a localidade de Várzea do Agudo, onde o fóssil foi localizado.
Como era a aparência e o comportamento desse animal?
Estima-se que o réptil media entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento, podendo chegar a até três metros. Ele era um animal quadrúpede que se alimentava de plantas, raízes e tubérculos. Seu bico em formato de gancho era ideal para escavar e cortar vegetais, enquanto várias fileiras de dentes pequeninos trabalhavam para triturar o alimento. Naquela época, o animal ocupava a base da cadeia alimentar, servindo de presa para os primeiros dinossauros e ancestrais de crocodilos.
Por que a descoberta indica um parentesco com fósseis da Escócia?
A análise paleontológica revelou que o Isodapedon varzealis possui afinidade evolutiva com o Hyperodapedon gordoni, uma espécie encontrada na Escócia. Isso se explica pelo fato de que, há 230 milhões de anos, os continentes estavam unidos na Pangeia. Essa massa de terra contínua permitia que os animais circulassem livremente entre o que hoje conhecemos como América do Sul e Europa, resultando em faunas muito semelhantes em regiões atualmente distantes.
Como foi realizado o trabalho de identificação do fóssil?
O crânio foi escavado em 2020, mas o processo de limpeza e análise levou anos. Por ser um material extremamente frágil, técnicos do Cappa-UFSM precisaram remover a rocha ao redor usando ferramentas delicadas como bisturis e agulhas. A confirmação de que se tratava de uma nova espécie veio após comparações anatômicas detalhadas com outros rincossauros já conhecidos, trabalho que integrou a dissertação de mestrado da pesquisadora Jeung Hee Schiefelbein.
Onde o público pode conhecer o fóssil descoberto?
O exemplar agora faz parte do acervo científico do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa-UFSM), localizado em São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul. O centro está inserido em uma área reconhecida pela Unesco como Geoparque Mundial e mantém uma exposição de fósseis do período Triássico aberta ao público com entrada gratuita, permitindo que os visitantes vejam de perto as relíquias de um dos ecossistemas mais antigos do planeta.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









