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A Justiça do Rio de Janeiro concedeu mais um habeas corpus ao rapper Oruam, filho de Marcinho VP, uma das principais lideranças do Comando Vermelho. Com a decisão, não há mais processos em que Mauro Davi dos Santos Nepomuceno é considerado foragido.
A certidão de julgamento da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) foi publicada pela advogada Ingrid Montovani, que integra a defesa. Ela classificou o resultado como "fruto de um trabalho sério, técnico e incansável".
A banca também é formada pelo advogado Thiago Lemos. Ele também celebrou a vitória em suas redes sociais:
"Quanto maior o desafio, mais acreditamos e trabalhamos e, mais uma vez, veio o resultado. Maurinho Livre!".
Oruam se manifestou por meio de nota de sua defesa ao UOL:
"A defesa de Mauro Davi, representada pelo advogado Thiago Lemos afirma que acreditava que a justiça seria feita e que a liberdade do Mauro Davi seria reestabelecida. O próximo resultado esperado é o trancamento desta ação penal, formada inteiramente por provas ilícitas, conforme atestado em laudo pericial".
A ação penal em questão apura o papel de Oruam no que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) chama de "núcleo familiar" de um esquema de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho. O núcleo, constituído ainda pela mãe do rapper, Márcia Gama, atuaria na intermediação de ordens e na gestão de ativos da facção.
A denúncia atinge a carreira de Oruam, afirmando que esta seria apenas uma forma de ocultar a origem ilícita do dinheiro da organização criminosa. A acusação alega que o artista recebeu valores de traficantes para despesas pessoais, viagens, festas e depoimentos.
De acordo com a Revista Estado e o portal UOL, o relator do habeas corpus, desembargador Marcius da Costa Ferreira, entendeu que Oruam ocupa posição secundária no núcleo familiar e não é apontado como liderança ou detentor de função formal de comando.
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Primeira vitória ocorreu em primeira instância
No final de julho, a juíza Tula Correa de Mello revogou a prisão preventiva do rapper. A magistrada foi a mesma que assinou o mandado prisão preventiva em fevereiro em cumprimento a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Mauro Davi dos Santos Nepomuceno era considerado foragido desde então, uma vez que havoa o mandado de prisão relacionado ao caso de lavagem de dinheiro.
A magistrada entendeu que não havia provas de que o ataque a uma viatura da Polícia Civil seria tentativa de homicídio e desclassificou a conduta para lesão corporal leve, levando as acusações de ameaça, dano qualificado, resistência e desacato à distribuição livre para outras varas. Tanto no cenário atual quanto no anterior, porém, os crimes são apontados como teses, uma vez que não houve o julgamento definitivo.
O caso que motivou este processo ocorreu em julho de 2025. Mauro teria participado do ataque a uma viatura descaracterizada que foi à sua casa, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, para apreender um adolescente que descumpriu medidas socioeducativas. O momento foi registrado em vídeo.
Oruam chegou a se entregar e ficou 50 dias preso em Bangu, tendo a medida convertida em seguida. Foi nesse contexto que ocorreu a violação da tornozeleira eletrônica que o tornou oficialmente foragido. Agora, ele fez uma transmissão ao vivo retirando a tornozeleira.
A mãe de Oruam, Márcia Gama, divulgou um trecho da sentença em suas redes sociais, comentando que seu filho "está bem" e agradecendo aos seus seguidores pelo apoio.
"A guerra ainda não terminou. Ainda existem batalhas pela frente. Ontem, o meu filho Mauro venceu uma delas. Sou imensamente grata a Deus por essa vitória. Mas precisamos continuar lutando com a maior arma que temos: Deus. Volto a repetir: tudo é válido, toda ajuda é importante. Mas, sem a intervenção de Deus, tudo continua no mesmo lugar", escreveu.




