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Ídolo do esporte

Patriota, Oscar Schmidt disse não à NBA para seguir a jogar pelo Brasil

morte Oscar Schmidt
O ex-jogador brasileiro de basquete Oscar Schmidt durante evento de apresentação do Mundial de basquete, em Madri, na Espanha, em 2012. (Foto: Kiko Huesca/EFE/ARQUIVO)

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O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, morto nesta sexta-feira (17) aos 68 anos, disse não à lendária National Basketball Association (NBA), a associação de basquete americana, porque isso representaria abrir mão de atuar por seu país na seleção pelas regras da Fiba (a federação brasileira) na época. Ele recusou um convite para jogar no New Jersey Nets, em 1984.

“Foi a decisão mais fácil que já tomei. Jogar pela seleção é a coisa mais nobre que existe; é diferente. É representar um país inteiro, e isso é muito melhor do que jogar na NBA", disse Oscar à agência EFE, em 2019.

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Oscar foi uma lenda do basquete com quase 50 mil pontos que passou a maior parte da carreira no Brasil, que até então era um país sem nenhuma tradição neste esporte e passou a apreciar a competição com seus feitos. Seu currículo tem apenas duas passagens em clubes no exterior, nos times italianos Juvecaserta e Pavia, e pelo Forum Valladolid, na Espanha.

No Brasil, Oscar jogou pelos clubes mais importantes do país, como o Palmeiras, Corinthians e Flamengo, onde se aposentaria em 2003, aos 45 anos, depois de jogar basquete profissionalmente por 28 anos. O ala de 2,03 metros de altura ganhou seu lugar no Hall da Fama do Basquete dos EUA em 2013, consolidando seu legado como um ícone global do esporte.

Oscar nasceu em fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte. Ele deixa a mulher, Maria Cristina Victorino, com quem viveu por 45 anos, além de dois filhos e dois irmãos, entre eles Tadeu Schmidt, apresentador do Big Brother Brasil.

Oscar tentou uma carreira política em 1998, concorrendo ao senado pelo PPB de Paulo Maluf. Acabaria derrotado por Eduardo Suplicy. Oscar apoiou a eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República em 2018, mas se arrependeu depois e declarou ao Uol ter anulado seu voto em 2022.

Carreira de títulos e recordes

Oscar acumula recordes no esporte, com uma participação em cinco jogos Olímpicos: o de Moscou em 1980, na Rússia, o de Los Angeles em 1984, nos EUA, o de Seul em 1988, na Coreia do Sul, o de Barcelona, em 1992, na Espanha e o de Atlanta, em 1996, nos EUA. Com a marca de 1.093 pontos, Oscar é até hoje o maior cestinha em Olimpíadas.

Ao longo de quase 30 anos de carreira, uma das mais longas de qualquer atleta, Oscar marcou quase 50 mil pontos, um recorde que só seria superado pela lenda da NBA Lebron James em 2024. Ele detém também o maior número de cestas em um jogo de Olimpíadas: 55 pontos contra a Espanha, em Seul.

Mas a maior glória de Oscar foi derrotar por 120 a 115 a seleção dos Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Foi a primeira vez que os EUA, inventores do esporte, perderam em casa para uma seleção estrangeira. Oscar brilhou naquela partida, vencida de virada e anotando 46 pontos.

A derrota mudou a forma como os EUA tratavam a seleção de basquete, que usava jogadores ainda não profissionais, para passar a empregar ídolos da NBA e criar o dream team. O revés ficou para sempre na memória de veteranos, como o jogador Charles Barkley, que se disse "ressentido" pelo feito brasileiro ao enfrentar a seleção brasileira em 92 em Barcelona com o célebre dream team, e o jogador americano David Robinson, o Admiral, que dizia se sentir "honrado" por ter participado da derrota americana por ter visto Oscar jogar.

Oscar era famoso por treinar exaustivamente cerca de mil arremessos ao dia, ou, como dizia, “no mínimo 500”. Ele dizia que era importante continuar treinando mesmo cansado, porque seria o "pouquinho" a mais o que deixa um jogador cada vez melhor.

"Eu nunca teria conseguido tudo o que consegui, alcançado tudo o que alcancei se não tivesse vontade de fazer sempre mais", declarou Oscar.

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