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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (19) uma ação para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo o vazamento de informações sigilosas de investigações em troca de vantagens financeiras. A Operação Sinon cumpre oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio Grande do Sul, além de determinar o bloqueio e o sequestro de bens.
As medidas têm como alvo um delegado da própria corporação que teria usado, desde 2023, o acesso privilegiado aos sistemas privados para consultar dados de pessoas e procedimentos sob investigação. O nome dele ou local de atuação não foram divulgados.
“Os fatos investigados envolvem, em tese, os crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa”, disse a Polícia Federal em nota.
As investigações apontam que as informações obtidas eram repassadas posteriormente aos alvos das operações. O objetivo seria permitir que adotassem medidas para “dificultar ou frustrar as diligências policiais”, comprometendo o andamento das investigações.
Além das buscas e apreensões, foram impostas medidas cautelares contra os investigados, incluindo a suspensão do exercício da função pública. Também foi proibido o acesso às dependências, aos sistemas e aos recursos tecnológicos da Polícia Federal.
As primeiras imagens da operação apontam a apreensão de grandes quantias em espécie de real e dólar.
Os fatos são investigados, em tese, como possíveis crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa. A Polícia Federal ainda busca identificar todos os envolvidos, esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados e dimensionar os eventuais prejuízos causados às investigações.
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Cooptação de agentes
A Operação Sinon ocorre em um contexto de outras ações realizadas em 2026 para apurar o uso irregular de informações protegidas por servidores e agentes públicos. Entre os casos citados estão operações envolvendo consultas indevidas a sistemas restritos, vazamento de dados fiscais e acesso a informações obtidas em investigações.
Em julho, a Operação Acesso Indevido, realizada pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal em Natal (RN), investigou um servidor suspeito de consultar ilegalmente sistemas restritos para repassar dados a terceiros. No mesmo mês, a Operação Infiltrados apurou um esquema que teria desviado R$ 45 milhões da Caixa Econômica Federal e contado com apoio de servidores públicos e advogados para obter informações privilegiadas e dificultar as investigações.
Em maio, a sétima fase da Operação Compliance Zero teve como alvo um perito criminal federal acusado de acessar e vazar dados sigilosos obtidos durante a perícia do celular de um investigado. Segundo as informações apresentadas, o servidor foi afastado do cargo e alvo de busca e apreensão por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Já a Operação Exfil, realizada entre fevereiro e abril, investigou servidores da Receita Federal por supostos acessos ilegais e vazamentos seletivos de dados fiscais protegidos. A apuração apontou a violação do sigilo de mais de 1,8 mil contribuintes e, em uma segunda fase, levou à prisão preventiva de um empresário e à adoção de tornozeleiras eletrônicas contra servidores.








