
O diretor Marc Webb (de 500 Dias com Ela) teve uma difícil missão: reinventar a saga do Homem-Aranha cinco anos após o fim de uma trilogia que, se pareceu promissora no início, terminou desastrosamente com o longa Homem-Aranha 3, de Sam Raimi. Não apenas justificar a aparente precipitação dos executivos da Sony Pictures em refazer a série, mas validá-la ante os fãs fiéis dos quadrinhos, quase que unanimemente desapontados com a antiga trilogia. "Mas por que não fazer agora? O primeiro filme já tem 10 anos, e isso é muito tempo no dia de hoje, que muda a cada 24 horas", disse o produtor de O Espetacular Homem-Aranha, Avi Arad, CEO da Marvel e responsável por praticamente todas as produções cinematográficas da empresa, durante uma coletiva de imprensa realizada no Copacabana Palace, em fevereiro deste ano.
O filme, que estreia amanhã no Brasil, dá uma leve repaginada no herói aracnídeo, desta vez estrelado por Andrew Garfield (de A Rede Social), e desdobra a realidade de sua mítica cinematográfica para tratar da história de Gwen Stacy, a primeira namorada de Peter Parker, antes de Mary Jane Watson e antes mesmo de se tornar o Homem-Aranha. Parker ainda está na escola, desenvolvendo seu interesse pela fotografia, quando se depara, em um baú na casa de seu tio Ben, com informações sobre o passado de seus pais já falecidos. É então que chega ao laboratório do obcecado Dr. Curt Connors (Rhys Ifans), um cientista com um dos braços amputados que estuda uma maneira de reconstituí-lo. Durante uma visita ao laboratório de Connors, Parker sofre um acidente com a aranha radioativa que o transformaria em super-herói.
Paralelo à descoberta de seus superpoderes, Peter Parker descobre também seu primeiro grande amor na forma da rica estudante Gwen Stacy (Emma Stone), filha do chefe de polícia da cidade George Stacy (Denis Leary), que acaba colocando um preço na cabeça do vigilante mascarado conhecido como Homem-Aranha. E para aqueles que acham que Gwen desempenha na história um papel similar a de Mary Jane na antiga saga, a atriz Emma Stone garante: as duas são diametralmente opostas. "Mary Jane se apaixona pelo Homem-Aranha, enquanto Gwen se apaixona por Peter Parker. Ela é responsável, tem uma base familiar sólida e quer cuidar de Peter, enquanto Mary Jane precisa de um herói em sua vida", disse a atriz durante a entrevista no Brasil.
Emma, embora tenha injetado muito de sua personalidade espontânea e cômica em Gwen Stacy, teve uma ajuda para entrar no personagem. A atriz conta que, durante as filmagens de Histórias Cruzadas, seu último filme antes deste, conversou sobre o papel com Bryce Dallas Howard, que interpretou Gwen no terceiro filme da antiga série. "Ela apareceu no meu trailer três minutos depois de ter conseguido o papel. Ela fez uma Gwen diferente, já adulta, mas me deu muito suporte.", conta a atriz.
O par romântico de Andrew Garfield diz também que o Peter Parker do novo filme é diferente do personagem interpretado por Tobey McGuire de 2002 a 2007, não sendo exatamente o tipo de nerd estereotipado que se espera da personalidade tímida do protagonista. "Ele parece um excluído por opção, ele quase sente prazer em sofrer bullying na escola. E ele anda de skate e tira fotos, mas tudo é encarado como um entretenimento próprio. Acho que pelo fato de ele ser órfão, cria uma espécie de casco protetor para si, e gosta de não se sentir abalado pelas provocações dos outros."
Por trás da produção de O Espetacular Homem-Aranha, está a mão zelosa do produtor Avi Arad, que, mais do que um CEO, assume as vezes de fã dos quadrinhos para oferecer a visão rigorosa dos espectadores exigentes que o filme encontrará. "Quanto maior a franquia, mais cuidado precisamos ter. E eu adoro acordar de manhã bem cedo e olhar os storyboards, para ver se não estamos deixando nada de fora, esquecendo alguma coisa. É preciso esse tipo de paixão para fazer um bom filme."
O repórter viajou a convite da Sony Pictures.







