Setlist
Confira as faixas que fazem parte de Art Blakeys Jazz Messengers
"Nows the Time", de Charlie Parker
"Announcement", de Art Blakey
"Lester Left Town", de Wayne Shorter
"Noise in the Attic", de Wayne Shorter
"Dat Dere", de Bobby Timmons
"Kozas Waltz", de Lee Morgan
Abdullah Ibn Buhaina foi um dos maiores bateristas da história do jazz. Por mais de quatro décadas, sua banda deu espaço para músicos jovens que dali voaram para projetos pessoais a fim de deixar suas marcas no gênero do improviso. No quesito revelação de talentos, o grupo de Buh, como era chamado pelos amigos, era semelhante ao do trompetista Miles Davis, outro músico conhecido por farejar figuras promissoras.
Ele foi batizado Abdullah Ibn Buhaina depois de se converter ao islamismo nos anos 1940. Para a posteridade, sempre foi Art Blakey (1919-1990). E a banda que criou está tão associada ao seu nome que parece até coisa da família. Assim, é difícil imaginar Art Blakey sem os Jazz Messengers.
O baterista, acompanhado de Bobby Timmons (piano), Jymie Merritt (baixo), Lee Morgan (trompete) e Wayne Shorter (sax tenor), fez uma apresentação inspirada em 1960, na cidade suíça de Lausane. Ela acaba de sair em CD pelo selo internacional da Biscoito Fino com o título simples de Art Blakeys Jazz Messengers.
A sessão abre com um solo breve de Blakey, cuja capacidade de explorar braços e pernas ainda surpreende. A abertura anuncia "Nows the Time", de Charlie Parker, marcada por um improviso de fôlego do pianista Timmons.
Em seguida, Blakey pede licença para apresentar o grupo. Bem-humorado, fala sobre as revistas que premiaram Lee Morgan, listando Downbeat, New York e até o "Diário das Mulheres do Lar", como quem diz que ele é uma unanimidade. Ele segue adiante, chamando a atenção para o "jovem talento" Wayne Shorter (hoje, um gigante), agradece a acolhida e engata "Lester Left Town", composta exatamente pelo saxofonista que havia acabado de apresentar.
Nessa faixa, fica evidente o gás do baixista. Merritt segura a música com dois dedos enquanto Timmons passeia pelas teclas com velocidade. Aliás, é interessante perceber que as faixas, com exceção da primeira, são composições de integrantes da banda: duas de Shorter, enquanto Blakey, Timmons e Morgan colaboram com uma cada um.
"Noise in the Attic" é a mais irritada do disco, com Shorter fazendo um solo furioso no sax. "Dat Dere", a penúltima, é a vez de Morgan mostrar os dotes que lhe renderam prêmios. E ele não decepciona. Domina quase metade dos 11 minutos da faixa e só sai de cena para deixar Timmons tomar conta de sua cria.
O espetáculo de Lausane termina com "Kozas Waltz", uma composição peculiar que começa como se fosse um trem se aproximando. Depois que chega, o diálogo segue constante entre Shorter (sax) e Morgan (trompete).
Digno de nota sempre é o cuidado da Biscoito Fino, que inclui um livreto com textos traduzidos do inglês e um exclusivo da versão brasileira, assinado por José Domingos Raffaelli. GGGG
Serviço
Art Blakeys Jazz Messengers. Biscoito Fino, preço médio: R$ 40. Jazz.
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