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O show do carioca Marcos Sacramento, com ingressos já esgotados, é o primeiro da série, que estreia amanhã | Edu Monteiro/Divulgação
O show do carioca Marcos Sacramento, com ingressos já esgotados, é o primeiro da série, que estreia amanhã| Foto: Edu Monteiro/Divulgação

Programação

Confira a agenda do projeto Samba de Bamba comentada por seu produtor, o jornalista Rodrigo Browne:

16/4 – Moyseis Marques

"Uma das grandes sensações do samba no Rio de Janeiro. Além da qualidade vocal – ele divide bem o samba – tem um repertório fantástico que mistura sambas consagrados e excelentes sambas de sua autoria."

14/5 – Ana Costa

"Uma das ‘apadrinhadas’ pelo Martinho da Vila. Também faz o circuito da Lapa. Assim como o Moyseis Marques, é compositora. Canta muito bem e também traz um repertório excelente, que mistura tradicional com moderno e coisas autorais."

11/6 – Pedro Paulo Malta e Alfredo Del-Penho (Dois Bicudos)

"Reeditaram as duplas de samba dos anos 1950 e 1960."

9/7 – Pedro Miranda

"Foi integrante do grupo Semente, com Teresa Cristina. Tem uma voz ótima. Seu último disco, Pimenteira, com pérolas do samba, foi elogiadíssimo por Caetano Veloso. Uma das grandes referências do samba no Rio de Janeiro.

13/8 – Leandro Sapucahy

"Além de ótimo sambista, é produtor de discos importantes no samba, como o último álbum do Arlindo Cruz."

10/9 – Quinteto em Branco e Preto

"Batizado pela Beth Carvalho, é um dos nomes de São Paulo fundamentais para a nova geração. Além de comporem muito bem, em parceria com gente como Nei Lopes, têm um grande conhecimento do samba."

8/10 – Fabiana Cozza

"Hoje, uma das maiores intérpretes brasileiras. Uma cantora extraordinária."

12/11 – Teresa Cristina

"Assim como Marcos Sacramento, está quase saindo da definição de nova geração. Tem uma carreira consolidada, muito reconhecida, mas representa, de certa forma, essa virada de revitalização que o samba deu no Rio de Janeiro."

  • O jornalista Rodrigo Browne apresenta o programa Samba de Bamba há 17 anos

O cantor carioca Marcos Sacramento (na foto), que se apresenta amanhã, com ingressos esgotados, no Teatro da Caixa, poderia discorrer longamente sobre os sambas tradicionais de seu repertório, profundo conhecedor que é. Ao chegar às canções de Assis Valente que ficaram conhecidas na voz de Carmen Miranda, no entanto, as informações que viriam à sua mente não seriam exatamente fatos históricos da música brasileira.

ÁUDIO: Ouça participações de Martinho da Vila, Marisa Monte, Caetano Veloso, Dona Ivone Lara e Ney Matogrosso no quadro "O Bamba Escolhe", do programa Samba de Bamba

"Me lembro de quando eu era moleque, e ouvia os meus pais cantando um repertório que atraía muito a minha atenção. Quando brincava, ficava com um ouvido na brincadeira e o outro no que minha mãe cantava enquanto estava lavando roupa, fazendo comida. Uma das artistas que ela cantava era a Carmen Miranda", contou Sacramento, em entrevista por telefone para a Gazeta do Povo. "Isso exemplifica bem a relação que eu tenho com o samba. Muito do que me atraiu neste repertório vem das vozes dos meus pais e minhas tias, que estavam sempre por perto, cantando muito."

Os critérios afetivos de escolha de repertório de Marcos Sacramento deverão ser algumas das primeiras histórias contadas a partir de amanhã na série de shows Samba de Bamba, que traz apresentações mensais ao Teatro da Caixa até novembro (confira no quadro ao lado).

O coordenador do projeto, Rodrigo Browne, baseou o formato no programa homônimo que apresenta na rádio E-Paraná (97,1 FM) há 17 anos (leia mais abaixo). No quadro "O Bamba Escolhe", um artista é convidado a selecionar sambas e explicar os porquês das escolhas, falar sobre memórias e influências.

"Quero trazer para o palco do Teatro da Caixa um pouco desse clima", explica Browne. "Em determinados momentos, os artistas vão parar e comentar sobre o que está sendo apresentado."

Os repertórios devem misturar sambas tradicionais e composições próprias, no caso de nomes como Moyseis Marques (16/4) e Ana Costa (14/5).

Samba renovado

Browne explica que procurou escolher sambistas "de qualidade absoluta" que representassem a geração que revitalizou o samba nos últimos anos – sobretudo no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, com exceção de Fabiana Cozza e o Quinteto em Branco e Preto, que são de São Paulo.

"São artistas que fazem sucesso em suas praças, mas que ainda não tiveram a chance de se apresentar em Curitiba da forma que merecem", diz Browne.

Sacramento também vê na Lapa uma possível unidade para se referir a essa geração. "A Lapa é um ponto difusor do samba novo que está se fazendo no Brasil, há mais ou menos uns 12 anos, quando voltou a ser um bairro típico da boemia carioca", conta. "Então, tem um intercâmbio. A gente acaba se comunicando, mas cada um no seu caminho – uns mais identificados com a história do samba, outros em uma linha ‘menos ortodoxa’."

Quadro já teve participação de medalhões da MPB

Há 21 anos radicado em Curitiba, o carioca Rodrigo Browne diz ter criado o programa Samba de Bamba, transmitido pela rádio E-Paraná (97,1 FM) aos domingos, às 11 horas da manhã, para levar sambas de qualidade à rádio – algo que considerava em falta 17 anos atrás.

Um dos carros-chefe são justamente as histórias contadas no quadro "O Bamba Escolhe", que já teve a participação de Dona Zica, Marisa Monte, Chico Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Beth Carvalho e João Nogueira, além de escritores como Carlos Heitor Cony e Ruy Castro.

"Uma história que acho representativa é com a Dona Zica [sambista da velha guarda da Mangueira e última esposa de Cartola, falecida em 2003]. Existe muito ‘folclore’ sobre os sambas. Mas tive a oportunidade de falar com ela na Mangueira, e perguntei sobre a história de ‘O Mundo É Um Moinho’, que as pessoas falavam que o Cartola tinha feito para uma filha que ia sair de casa. A Dona Zica quase me deu uma bronca: ‘Imagina se o Cartola ia fazer isso com uma filha? Isso foi para um amigo do Cartola, que tinha sido abandonado pela mulher.’ Então ela desmitificou uma coisa que ainda hoje é utilizada quase como uma verdade", lembra Browne. "Ela ainda contou sobre o diálogo que deu origem a ‘As Rosas Não Falam’. Enfim, tem inúmeras outras histórias."

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