De um lado, a banda, que toca sem ver a plateia. Do outro, o público, que só vê a sombra dos músicos. Entre eles, no palco, um grande painel, projetando as animações que dão vida, ao vivo, ao Gorillaz, a banda virtual criada pelo ex-Blur Damon Albarn e pelo artista inglês Jamie Hewlett.
Durante seis anos, o diretor Ceri Levy acompanhou Albarn e Hewlett, da gestação ao sucesso do Gorillaz, material para os 90 minutos de Bananaz. Antes mesmo de ser lançado em DVD, no dia 1º de junho, o documentário chega à internet por vias oficiais está disponível em www. babelgum.com.
Soma da música de Albarn com os desenhos de Hewlett, o Gorillaz lançou dois álbuns, além de um disco de remixes, que, juntos, venderam 12 milhões de cópias. "Nós estávamos assistindo à MTV e achamos que poderíamos fazer um pouco melhor do que aquilo, conta Hewlett, no documentário, sobre o surgimento da banda, que conta com uma longa lista de clipes em animação. "As pessoas tendem a levar o grupo muito a sério, diz Albarn.
Bananaz é conduzido por essa mesma despretensão, sem se aprofundar sobre o conceito virtual do Gorillaz, mas mostrando a banda por trás das animações, entre gravações e storyboards, num clima quase juvenil, de piadas e gozações. O documentário começa em 2000, com a construção, ainda no papel, dos quatro personagens que encenam a banda 2D, Murdoc, Noodle e Russell. Ao mesmo tempo, Albarn gravava o primeiro e homônimo disco do Gorillaz. E o time de colaboradores que se junta à banda durante o documentário é considerável o produtor Danger Mouse, os grupo de rap De La Soul e D12, os cantores Ike Turner e Ibrahim Ferrer e o ator Dennis Hopper.
Tecnologia
Dali, o documentário passa pela divertida dublagem dos personagens, pelas viagens para shows, pelo tédio de Albarn durante entrevistas a jornalistas e pela gravação dos clipes e do segundo disco, Demon Days, acompanhados por novos desenhos de Hewlett.
Estúdio na internet
No filme, o desenhista fala sobre a dificuldade em dar forma aos personagens do quarteto ao vivo. "Não existe tecnologia para fazer exatamente o que gostaríamos de fazer, diz ele, que recorreu a exibição de animações em flash nos shows. Mas, fora do palco, Hewlett deu sobrevida ao grupo no site da banda (www.gorillaz. com).
O endereço é uma peça de ficção, representação do que seria o estúdio de gravação dos personagens. É possível navegar por todos os cômodos, que estariam "à venda. Tamanho foi o mergulho de Hewlett, que ficou a cargo dos fãs criar um site convencional para a banda (fans. gorillaz. com), com datas de shows, notícias e discografia da banda.