
Certa noite em 2009, o jornalista Gilberto Yoshinaga sonhou que havia escrito a biografia de Nelson Triunfo. Quando acordou, recorda ele, pensou: "Por que não?". Especialista em hip-hop, foi conversar com o biografado, de quem ganhou o aval, e saiu a campo. "O Nelson tem muito para contar e, ao mesmo tempo, é preciso registrarmos esse tipo de história para que ela não se perca e possa ser perpetuada", afirma.
A previsão é de que em outubro chegue às livrarias Nelson Triunfo Do Sertão ao Hip-Hop, obra apoiada pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ligada ao governo federal. Vai ser o primeiro volume da coleção Hip-Hop & História (HHH), que pretende ser um registro da cultura de rua no Brasil. Pitadas sobre a vida do pai do hip-hop podem ser conferidas no blog http://biografiadenelsontriunfo.blogspot.com/.
Para narrar a trajetória de Nelson Triunfo, Yoshinaga tem colhido depoimentos de familiares e amigos do artista, além de diversas personalidades da cultura. "Ele foi um dos principais difusores da música soul e funk de raiz, introduziu o hip-hop no país e foi o primeiro a utilizá-lo como instrumento de educação alternativa. Também foi pioneiro ao sinalizar que o hip-hop deveria se fundir com elementos da cultura brasileira. Ele mesmo se define como um híbrido de Luiz Gonzaga e James Brown", observa.
Para Yoshinaga, Nelson Triunfo é ainda "uma pessoa à frente de seu tempo". "Ele representa o rompimento de todos os preconceitos e a quebra de padrões", destaca. "Foi pioneiro em quase tudo o que fez e mostrou que é possível ser feliz e vencer na vida fazendo apenas aquilo que se gosta de fazer, mesmo que, de início, seja ridicularizado ou menosprezado pela maioria das pessoas."



