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Visuais

Cartografia da vida urbana

Obra de coletivo de artistas curitibanos, que mapeou cartografia social da zona sul de Curitiba, ganha destaque nacional com instalação em museu carioca

 | Coletivo E/Ou / Divulgação
(Foto: Coletivo E/Ou / Divulgação)
Re (des) cartógrafos, obra exposta no Museu de Arte do Rio. Abaixo, reprodução do mapa instalado no Terminal do Pinheirinho, em Curitiba |

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Re (des) cartógrafos, obra exposta no Museu de Arte do Rio. Abaixo, reprodução do mapa instalado no Terminal do Pinheirinho, em Curitiba

Goto, Lúcio Araújo, Cláudia Washington e a pequena Zoè em frente ao Paço da Liberdade |

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Goto, Lúcio Araújo, Cláudia Washington e a pequena Zoè em frente ao Paço da Liberdade

A obra Re (des) cartógrafos do coletivo de artistas curitibanos E/Ou – que mapeou a geografia social da periferia de Curitiba a partir da intervenção da população – foi um dos principais destaques da mostra O Abrigo e o Terreno, que ficou em cartaz até o dia 26 de julho no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).

O trabalho do trio de artistas plásticos Goto, Cláudia Washington e Lúcio Araújo foi selecionado pela curadoria da exposição, que reuniu obras relativas ao direito à habitação, à ocupação do espaço público e a projetos de reforma urbana e relações de inclusão e exclusão no contexto urbano.

"A obra mostra a cartografia permanentemente em movimento da cidade pela visão dos próprios habitantes urbanos", elogiou o diretor do MAR e curador da mostra, Paulo Herkenhoff.

A mostra foi programada para a inauguração do espaço, em março deste ano na zona portuária da capital fluminense. Além da peça curitibana, a exposição contava com obras de artistas contemporâneos importantes, como Antonio Dias, Helio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Bispo do Rosário e Waltercio Caldas.

A experiência bem-sucedida de instalação no museu é a etapa atual do trabalho, iniciado em 2008, no interior da travessia subterrânea do terminal de ônibus do Pinheirinho, na zona sul de Curitiba.

No espaço, que é o maior ponto de fluxo de pessoas da área mais populosa da cidade, o grupo instalou um mapa da região e instigou a intervenção dos usuários que por ali circulavam. A ideia era redesenhar a cartografia da região do entorno a partir das memórias e desejos dos seus habitantes.

"Começamos de modo totalmente intuitivo e pensávamos que os mapas não fossem durar muito tempo", explica Goto. "No entanto, o trabalho foi respeitado e se transformou em um grande brainstorm coletivo, com uma estética influenciada pelo fluxo que uma artista não conseguiria nunca criar sozinho", completa Araújo.

O trabalho então evoluiu, explica Cláudia, para a construção de um novo mapa, que "somava os desenhos dos trajetos individuais de usuários do terminal até suas moradias". "Mapas que partiam da história das pessoas e da experiência delas no lugar em que vivem", afirma a artista.

Incursões

Desses dados coletados espontaneamente, o grupo iniciou uma série de incursões nas áreas citadas pelos moradores, que resultaram na elaboração de um mapa específico para a comunidade Pequeno Espaço, uma ocupação irregular em área de risco.

Também originaram registros documentais em foto e vídeo da Bacia Hidrográfica do Rio Iguaçu, do aterro sanitário da Caximba e de outros locais importantes da periferia da cidade.

Parte desse material foi exposto, pela primeira vez em um museu, com um sucesso que surpreendeu os próprios artistas. "É um trabalho que dá muito orgulho, mas ao mesmo tempo é um trabalho muito difícil. O artista que trabalha o espaço urbano tem de saber escutar", diz Lúcio Araújo.

Segundo Goto, o desafio do grupo no momento é tentar organizar o restante do material. "Ainda temos muita documentação que não foi mostrada e precisamos mexer nisso agora antes que fique muito distante na história."

Atração

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Não foi por acaso que a direção do Museu de Arte do Rio (MAR) programou o tema da habitação urbana para a sua primeira grande exposição.

Orçado em R$ 76,6 milhões, o MAR é um dos pilares do projeto de revitalização da Zona Portuária promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro e pelo governo federal e tornou-se um dos equipamentos culturais mais discutidos na cidade, com vozes contra e a favor.

O projeto arquitetônico ousado uniu os prédios do antigo hospital da Polícia Civil, o Palacete Dom João VI e a antiga rodoviária do Rio, todos na Praça Mauá, criando um espaço que se destaca pela leveza e plástica em uma das áreas mais degradadas da cidade.

Como qualquer projeto de reforma urbana, a revitalização envolve a derrubada de edificações (muitas desabitadas) da área, realocação de antigos moradores e a ocupação dos espaços por comércios de "maior qualidade".

O contraponto deste mal-estar foi a indicação de Paulo Herkenhoff para a direção da instituição, algo que redimiu a criação do MAR e o posiciona como um dos museus mais interessantes do país.

Herkenhoff tem planos ambiciosos para o MAR, que tem conseguido levar a cabo.

Em uma visita guiada, no mês de junho, ele explicou que uma das prioridades do novo museu é o atendimento a estudantes da rede de ensino municipal da cidade. Ele também pretende inverter o eixo de produção cultural da própria cidade: que ligaria o centro às comunidades da zonas norte e oeste. "Não queremos um museu vitrine, mas um museu de produção de pensamento", afirma. Quem visita o Rio precisa conhecer o MAR.

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