A temporada do cinema nacional promete em 2006. Pelo menos é esse o prenúncio otimista, baseado nos próximos lançamentos ao longo do ano e do recente sucesso de "Seu Eu Fosse Você", filme que alcançou a marca de dois milhões de expectadores neste último fim de semana.
O otimismo acaba justificado. Isso se for levado em consideração a fraca participação de 12% no público geral dos filmes lançados nos cinemas do país em 2005, número ainda pior do que em 2004, que teve 14% de participação. O melhor ano da chamada retomada do cinema nacional foi 2003, quando 22% do total de público foram nas sessões de filmes brasileiros. Isto porque na época em questão, sucessos como "Carandiru", "Os Normais", "Lisbela e o Prisioneiro" e "Maria, Mãe do Filho de Deus" levaram os brasileiros em massa as salas de exibição do país.
No ano passado, a situação só não foi ainda mais crítica graças ao filme "2 Filhos de Francisco", responsável por quase metade dos 10,7 milhões de espectadores do filmes nacionais em 2005. Fora a produção baseada na vida da dupla Zezé di Camargo e Luciano, apenas uma fita brasileira ultrapassou a marca de um milhão espectadores no período: "Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida", com 1,3 milhões, número bem abaixo da média da Rainha dos Baixinhos (acima de 2 milhões).
O prognóstico para 2006 ainda é incerto, mas o otimismo prossegue, graças a longa lista de filmes que possuem os ingredientes certos para serem sucessos de público e crítica. Não há como prever com garantia se um filme irá agradar o público ou não, mas o sucesso da comédia "Seu Eu Fosse Você", dirigida por Daniel Filho, mostra que os longas que possuírem os componentes já testados e aprovados com louvor em outras produções nacionais de mesmo sucesso não falha: comédia leve, protagonizada por atores globais (de preferência em destaque em alguma novela), além do selo Globo Filmes e todo o apoio maciço de mídia que isto acarreta.
Em se tratando do diretor global, Daniel Filho já experimentou várias vezes o período vitorioso de agora em outras produções que dirigiu "A Partilha" (1,4 milhão de público) e "A Dona da História" (1,2 milhão) ou co-produziu (via Globo Filmes, de quem já foi diretor artístico), como "Carandiru" (4,7 milhões), "Cazuza" (3 milhões), "Cidade de Deus" (3,3 milhões) e "Sexo, Amor e Traição" (2 milhões). O diretor já prepara um outro filme para ser lançado nos últimos meses do ano: "Muito Gelo e Dois Dedos dÀgua", estrelado por Paloma Duarte e Mariana Ximenes, com roteiro de Alexandre Machado e Fernanda Young (de "Os Normais"), uma história pop que pode cair nas graças do público.
O novo longa é uma das apostas de boa bilheteria do ano, assim como outros lançamentos de peso, que devem garantir que mais filmes sejam responsáveis pela participação nacional no mercado ao contrário de 2005, quando apenas "2 Filhos de Francisco" dominou as salas.
Nessa lista estão: "A Máquina", de João Falcão, com Mariana Ximenes, Paulo Autran, Lázaro Ramos e Wagner Moura, com apoio da Globo Filmes, previsto para março; "Depois Daquele Baile", de Roberto Bomtempo, com Irene Ravache e Lima Duarte, outro com apoio Globo Filmes, também para março; "O Maior Amor do Mundo", novo de Cacá Diegues, diretor que sempre consegue bons públicos a produção é estrelada por José Wilker e estréia em abril; "Irma Vap O Retorno", de Carla Carmurati, com Ney Latorraca e Marco Nanini, em abril; a superprodução "Zuzu Angel", de Sérgio Rezende, com Patrícia Pillar, em agosto. Há ainda os filmes derivados da tevê, como os longas "Hoje É Dia de Maria", de Luiz Fernando Carvalho, e "Cidade dos Homens", de Paulo Morelli, e também "Seus Problemas Acabaram", o novo da trupe Casseta & Planeta.
Se as últimas temporadas foram desiguais em relação aos filmes nacionais e internacionais, 2006 deve ser um pouco mais equilibrado. Mesmo com as estréias hollywoodianas de peso, como "O Código Da Vinci", "Superman O Retorno" e "X-Men 3".







