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Irinêo B. Netto

A solidão maior

  • Porinetto@gazetadopovo.com.br
  • 13/06/2014 21:05

Viajar sozinho é se sentir só de um jeito que você não se sente quando está em casa, dentro da rotina.

A solidão da viagem é mais intensa. Num lugar estrangeiro, é preciso lidar quase o tempo todo com a preocupação de não ser vítima – de espertalhões atrás de turistas ingênuos, das oportunidades perdidas, do acaso. É uma preocupação elementar de quem viaja e ter de lidar com isso sozinho faz você se sentir um pouco mais isolado.

Há quem não goste de beber sozinho (para esses, talvez uma taça de vinho seja solidão maior). O cineasta Jonathan Nossiter, do documentário Mondovino, gosta de dizer que metade do prazer proporcionado por uma garrafa de vinho vem da pessoa com quem se bebe. Um vinho espetacular fica menos espetacular se você divide a garrafa com alguém desagradável. E ele diz que sim, um vinho simples pode ficar incrível na companhia certa.

A lógica de Nossiter pode funcionar para viagens também. Consigo imaginar que férias incríveis em má companhia facilmente virariam um pesadelo. Com a pessoa certa, pouco importa aonde se vá.

Sozinho, dizem, você tem de aprender a desfrutar da própria companhia. Essa ideia soa meio esquizofrênica, mas faz algum sentido. E a imensa maioria não tem disposição para enfrentar momentos de solidão e sacam os celulares para se distrair – no restaurante, no cinema, ao volante, virtualmente em toda parte.

O comediante americano Louis C. K., que muitos consideram uma espécie de filósofo, diz que o celular previne a pessoa de se sentir só, de sentir "o vazio que faz parte da condição humana". Sem distrações, uma hora ou outra, você acaba prestando atenção nessa lacuna. "Incapazes de lidar com o vazio, a gente não fica nem feliz nem triste, mas meio que satisfeito com os produtos que compramos", diz.

No filme Sideways – Entre Umas e Outras (2004), um dos personagens guarda a garrafa de um vinho valioso (Château Cheval Blanc, safra de 1961) para "uma ocasião importante", diz ele. A amiga que ouve a explicação, rebate: "Mas o dia em que você decidir abrir o vinho será uma ocasião importante". Ele termina bebendo o vinho, que é dos mais caros do mundo, num copo de isopor em uma lanchonete, comendo hambúrguer. E sozinho.

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