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Robert Crumb: universo “inapropriado e pervertido” | Pierre Antoine/Divulgação
Robert Crumb: universo “inapropriado e pervertido”| Foto: Pierre Antoine/Divulgação

Embora more em Paris desde 1991, Robert Crumb nunca havia sido tema de uma grande exposição na França. O Museu de Arte Moderna de Paris salda a dívida – todo Crumb está ao alcance do público até dia 18 de agosto.

A exposição Do Under­ground ao Gênesis é a mais completa dedicada ao artista que já foi tema de um ácido documentário de Terry Zwigoff, em 1994. São cerca de 700 originais e reproduções, espalhados por várias salas. Não é uma exposição que se possa percorrer rapidamente. Duas ou três horas é o mínimo de tempo exigido e se você for um observador atento vai permanecer muito mais. Valerá a pena.

Um dos primeiros trabalhos, do começo dos anos 1960, mostra um telespectador numa sala, diante de um aparelho de tevê que despeja sobre ele uma tonelada de detritos, para não dizer m... Por causa de desenhos assim, Crumb ganhou a fama de "underground". Numa época de contestação do chamado sonho americano, ele foi dos primeiros e mais ferozes críticos dos valores sobre os quais se construía a grandeza da América – dinheiro, sucesso e poder. Reunidos todos os trabalhos, não há como não dar razão ao próprio Crumb, que define seus gibis como "inapropriados e pervertidos". Mas tudo aquilo é poderoso – um retrato visceral do estado do mundo nos últimos 50 anos.

Crumb gosta de dizer que não entende porque é tão amado. "Um dia alguém vai perceber quem eu sou e vai querer me dar um tiro." As reações do público à exposição são de puro amor. Você pode deixar suas impressões. Os que deixam derramam-se em elogios. Crumb já tinha uma história nos EUA quando foi publicado pela primeira vez na França – na capa da revista Actuel, que reproduziu desenhos que haviam saído na imprensa norte-americana. Prolífico, seu trabalho influenciou duas gerações de artistas cômicos, incluindo Jaguar, no Brasil. O traço pesado e flamboyant, as sugestões grosseiras, tudo ajudou a esculpir o mito. Crumb virou ícone da contracultura. Seu lema – a incorreção.

Os gibis "proibidos" de Crumb circulavam em ambientes restritos, mas isso nunca impediu que repercutissem. Além de facilmente reconhecíveis, os desenhos mapeiam um espectro amplo. Tudo o inspira, até a Bíblia (no começo), mas o grande tema de Crumb é sempre ele próprio. Poucos artistas se expuseram tanto. Obsessões, relações com as mulheres, ideias, crenças. Crumb não esconde nada. Ele nasceu na Filadélfia, em 1943. Começou a desenhar aos 7 anos. Aos 16, criou o Gato Fritz e, aos 24, Mr. Natural. Em 1968, em plena explosão hippie em São Francisco, agitava na revista Zap. Nos 80, a revista era outra – Weirdo – e Crumb ilustrava textos de Jean-Paul Sartre e Charles Bukowski. Mais do que underground, era, e é, contestador.

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