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A Rainha do Papel, Efigênia Rolim, moradora da Vila Oficinas, será homenageada terça-feira (7), no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Lula | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
A Rainha do Papel, Efigênia Rolim, moradora da Vila Oficinas, será homenageada terça-feira (7), no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Lula| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

O presidente Lula já levou "puxões de orelha" recitados em verso de uma senhora pequenina, franzina e tagarela de 76 anos que habita uma casa humilde na Rua Alceu José Guadagmim, 71, na Vila Oficinas. Em 2006, ela passou sermão nos políticos presentes no Seminário do Artista Popular, em Brasília, pedindo-lhe mais atenção aos pobres.

Os dois voltam a se encontrar nesta terça-feira (7), no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde a artista recebe das mãos do próprio Lula a Ordem do Mérito Cultural. A premiação será concedida a personalidades nacionais e internacionais que se distinguiram na área da cultura. Também vai estar presente o ministro da Cultura, Juca Ferreira.

A comissão técnica nomeada pelo Ministério da Cultura – Minc apreciou 782 propostas de candidatos à Ordem. Entre os 46 escolhidos, Efigênia, mineira de Abre Campo radicada em Curitiba desde 1971, é a representante paranaense. Esta é a segunda premiação oferecida pelo governo federal à Rainha do Papel, como a artista ficou conhecida por sua capacidade de dar vida a qualquer papelote que encontre pela rua.

No ano passado, ela recebeu R$ 10 mil do Prêmio Culturas Populares, do Minc. Com a ajuda da amiga e artista Kátia Horn, o dinheiro imediatamente foi convertido em tijolos e cimento para levantar, nos fundos de sua casa, o que, em dezembro deste ano, será o museu A Vida do Papel de Bala.

O espaço prevê também lojinha, ateliê, espaço para oficinas e biblioteca para a comunidade da Vila Oficinas e estudantes que desejarem pesquisar sobre a artista. O dinheiro não foi suficiente. E dá-lhe correr atrás de doações de materiais de construção e dinheiro dos amigos.

A alma do museu será, é claro, a própria artista. Efigênia é parte integrante – e indispensável – da exibição de suas telas, bonecos, objetos e vestimentas feitas de embalagens, tecidos e outros materiais descartados. Sem ela, a visita não vale a pena, pois as obras de arte ganham vida com a explicação em verso e prosa saborosa desta contadora de histórias imaginativas e plenas de crítica social.

Efigênia se tornou artista por acaso, ao enxergar no chão um papel de bala, em 1990. A partir daí, passou a produzir arte com sucata e a vender suas peças na Feira de Artesanato, no Largo da Ordem, onde se tornou nacionalmente conhecida.

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