Campos aproveita a “temporada de gripe”, com aulas suspensas, para preparar o lançamento de seu romance, dividido em três livros: “Hoje sou mais escritor do que músico.”| Foto: Priscila Forone/ Gazeta do Povo

Trajetória

Saiba mais sobre a carreira artística de Guilherme Campos.

- Em 1991, participou da gravação do álbum Quarteto, ao lado de Mário da Silva, Rogério Budasz e Paulo Demarchi.

- 1999 é o ano em que, com o Coral da Universidade Federal do Paraná, realiza o álbum Impressões, com música do Renascimento Inglês.

- A escritora e professora universitária Luci Collin foi a primeira leitora que acreditou e incentivou Guilherme Campos a publicar. "A Luci fez com que eu superasse a autocrítica. Devo minha entrada no mundo da literatura a ela", afirma.

- Em 2008, Campos lançou o romance Tríade, que foi escrito em três tempos diversos, passado e presente se alternam.

- Agora, Campos não está escrevendo por estar envolvido com o lançamento de um romance dividido em três livros. Trata-se de Arnaldo Está Louco? (livro 1), Arnaldo Está Vivo? (livro 2) e Onde Está Arnaldo? (livro 3). Cada livro custa R$ 15, mas ele fará uma promoção dos três livros (por R$ 30) na manhã de autógrafos, no próximo domingo, dia 23 de agosto, na Livraria Dario Vellozo (R. São Franciso, 325).

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Guilherme Campos, 43 anos, é um curitibano que divide o tempo entre a música e a literatura. Diz sentir necessidade de criar. Mas durante esta década, está mais en­­volvido com a prosa. Já escreveu seis livros, e três deles (a trilogia de Arnaldo) serão lançados no dia 23 de agosto, a partir das 11 horas, na Livraria Dario Vellozo – em plena feirinha do Setor Histórico.

O personagem Arnaldo, 25 anos, foi o recurso que Campos en­­controu para falar, por meio da fic­­ção, da realidade. O ser fictício é um tradutor, que deseja se tornar es­­­critor, e questiona se atualmente existe alguém imune à corrupção. Ele (o personagem) acredida que as pessoas que trocam os seus sonhos por um bom salário, em um em­­prego insuportável, são tão corruptas quanto os parlamentares en­­vol­­­vidos em desvio de dinheiro pú­­­­­blico.

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Ficção, para Guilherme Cam­­pos, é uma maneira de estar no mundo. Mais que isso: é um recurso para ler, reagir e dialogar com o mundo e com os homens. Ele quer ser lido. Isso pode parecer óbvio, mas Campos estreou, em 2003, com Tempo de Mudança, um livro de contos praticamente "incompreensível para as massas". O escritor focava na elaboração da linguagem, e o resultado era como se ele colocasse uma cerca de arame farpado, ou uma cortina de fumaça, entre o texto e os leitores. Manual do Cidadão Oprimido, o segundo livro, de 2006, marca a superação da "barreira do hermetismo" e, desde então, ele desenvolve uma linguagem de fácil compreensão e interlocução com o próximo.

O romance mais recente, dividido em três livros, tem texto direto: é como se o autor – em relação a obras anteriores, e no que diz respeito à linguagem – tivesse diminuído a quantidade de perfume. Agora, a "essência" não chama tanto a atenção, apesar de o aroma se fazer presente. Campos conseguiu com a literatura algo que jamais realizou enquanto músico. Durante a década de 1990, compôs centenas de "músicas de vanguarda", bem recebidas por músicos, mas com pouca repercussão de público. O estranhamento de suas composições musicais não foi superado: ele não consegue ser simples, musicalmente falando. Mas já faz tempo que não se dedica a inventar melodias.

Campos direciona, em média, seis horas diárias para a música, mas agora está focado no ensino. Formado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), é professor no Colégio Dom Bosco e no Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba. Gravou cinco álbuns. Conheceu o Brasil fazendo shows. Mas foi praticamente "abduzido" pela literatura.

Além de ler e de escrever, "investe" horas de sua vida em visitas a escolas da rede pública. Leva os seus livros, e também obras de outros autores, para as salas de aula. Mais que discutir, e tentar diminuir a distância entre autor e leitor, procura mostrar que a leitura é muito mais do que apenas um "item" dentro da disciplina de Português. "Leitura é prazer. Lemos não apenas para ‘aprender’, mas para usufruir a arte, a essência do ser humano", comenta.