
A comédia Se Eu Fosse Você 2, de Daniel Filho, atingiu uma marca histórica: é a maior renda do período conhecido como Retomada do Cinema Brasileiro, iniciado em meados da década de 1990 soma mais de R$ 5,2 milhão desde a estreia, há sete semanas. Com cerca de 5 milhões de espectadores, não vai demorar a bater a marca de maior bilheteria deste período, em posse do longa-metragem 2 Filhos de Francisco, que narrou a trajetória dos dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano a 5,3 milhões de espectadores.
Há mais números que impressionam. A produção protagonizada por Tony Ramos e Glória Pires é a sexta maior renda de todos os tempos do mercado brasileiro, perdendo apenas para Titanic, os três Homem-Aranha e Paixão de Cristo. "É um feito inacreditável, não só dentro do mercado brasileiro. Até nos Estados Unidos, obter esse faturamento com 280 cópias, que é o que colocamos no mercado, é muito difícil", explica a produtora executiva do longa, Walquiria Barbosa.
Ela atribui o estrondoso êxito da sequência a uma combinação de fatores. "Temos um bom filme, que agrada diferentes classes sociais e faixas etárias. Acertamos na escolha da data e do conceito da campanha de lançamento. Trabalhamos forte para consolidar o tripé produtor, distribuidor e exibidor. A Globo Filmes fez campanha dentro da televisão aberta, utilizamos o mobiliário urbano da Clear Channel, fizemos parcerias com shopping centers e colocamos mídia nos ônibus", diz. Outro fator decisivo foram as pré-estreias pagas. "O público foi nosso grande divulgador, porque as pessoas foram ver e recomendaram", lembra.
Para o crítico do site de cinema Filmes Polvo (www.filmespolvo.com.br) Marcelo Miranda, o sucesso do filme faz bastante sentido. "É uma comédia milimetricamente moldada para servir ao tipo de público que ela pretende atingir: o frequentador de shopping que eventualmente vai ao cinema. Era um sucesso anunciado, muito por conta dos 3,6 milhões que viram Se Eu Fosse Você 1. Ou seja, na minha visão, fenômeno absoluto foi o primeiro. O segundo pegou a carona aberta e se deu bem."
A troca de sexos entre o casal se repete no segundo longa, mas a perda do fator-surpresa não atrapalhou. "A sequência contou com a relação de familiaridade que os personagens criaram com a plateia no primeiro longa. Nos três anos que separam os dois filmes, Cláudio e Helena se firmam como marca, como grife cinematográfica, o que viabilizou a criação da expectativa", diz o jornalista e crítico do jornal O Globo Rodrigo Fonseca.
"O mais importante não é a troca. As pessoas conseguem se colocar na posição do outro e pensar como agiriam nas situações apresentadas", explica a produtora do longa.
Diante desse sucesso, um terceiro Se Eu Fosse Você não está descartado. Enquanto isso não acontece, Daniel Filho finaliza um novo filme, Tempos de Paz, e se prepara para filmar As Vidas de Chico Xavier, autobiografia do médium mineiro morto em 2002.
Sertanejo
Dentre os inúmeros filmes nacionais que entram em cartaz este ano, O Menino da Porteira, refilmagem rural de um dos maiores sucessos de bilheteria da década de 1970, têm chance de lotar as salas de cinema. O original, de 1975, protagonizado pelo cantor sertanejo Sérgio Reis, levou sete milhões de pessoas ao cinema. O diretor Jeremias Moreira tentará repetir o sucesso de seu longa original ao colocar como protagonista um cantor de apelo ainda mais popular: Daniel.
O filme, que estreia no próximo sábado, dia 6 de março, foi rodado em uma cidade cenográfica da Film Comission de Paulínia, interior paulista. Daniel vive Diogo, um boiadeiro de passado triste que traz uma grande boiada para vender ao Major Batista (José de Abreu), dono da Fazenda Ouro Fino. Ele é aconselhado por pequenos criadores do vilarejo a não vender mais seu gado ao Major, que quer controlar todos os preços da região. Sua decisão irrita o fazendeiro, com quem trava uma batalha que envolve inclusive a disputa por sua enteada, vivida por Vanessa Giacomo.
"Acredito que este será um ano melhor pela forte competitividade no cardápio nativo. Há, do lado dos filmes de arte, Budapeste, e do outro, A Mulher Invisível (de Claudio Torres, que estreia em 5 de junho) e Os Normais 2 (previsto para o segundo semestre). Aposto na química popular de Divã (de José Alvarenga, estreia em 17 de abril), com Lília Cabral", opina Rodrigo Fonseca.
Mas a ida em massa às salas de cinema para assistir a Se Eu Fosse Você 2 dificilmente se repetirá com outros filmes. "O público tem comparecido ao cinema não para ver um filme brasileiro, mas para ver Se Eu Fosse Você 2. Mais do que preconceito ou pouco caso com os filmes do país, tenho sentido cada vez mais um total desinteresse pelo que se faz no Brasil em termos audiovisuais. Há ingresso caro, há poucas salas, há um circuito viciado em cinema americano, mas há também a simples falta de vontade do espectador ", diz Marcelo Miranda.
Chico Buarque
Budapeste, citado por Fonseca (com estreia no dia 22 de maio), leva às telas a adaptação do romance homônimo de um dos mais populares compositores brasileiros: Chico Buarque. O filme marca a estreia-solo na direção de ficção do premiado diretor de fotografia Walter Carvalho (Central do Brasil), que já dirigiu com Sandra Werneck Cazuza O Tempo Não Pára.
Na trama, José Costa (Leonardo Medeiros) é um ghostwriter carioca que, ao voltar de um congresso mundial de escritores desconhecidos, realizado em Istambul, precisa pernoitar em Budapeste. Ali, transforma-se em seu duplo Zsoze Kósta, um brasileiro abduzido pela nova língua e pela bela Krista (a húngara Gabriella Hámori), que lhe ensina o novo idioma. Quando retorna ao Rio de Janeiro e à esposa Vanda (Giovana Antonelli), se depara com um casamento desfeito e uma vida com a qual já não se identifica.
No dia 18 de abril, chega às telas uma boa surpresa candanga: Se Nada Mais Der Certo, quarto longa-metragem do cineasta de Brasília José Eduardo Belmonte. O filme, que recebeu prêmio do Júri Oficial do Festival do Rio em outubro passado, narra o encontro de três pessoas de mundos distintos em um momento de crise: o jornalista desempregado Leo, em surpreendente interpretação do ator Cauã Reymond; Marcin (Caroline Abras), uma garota de sexualidade indefinida que entrega cocaína pela cidade; e o taxista suicida Wilson (João Miguel, de Estômago). Com os dois novos amigos, Leo se envolve no submundo do crime.
Outro filme que deve atrair a atenção é Jean Charles, de Henrique Goldman (estréia em 26 de junho), por narrar a trajetória de um personagem real: o brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica em julho de 2005 ao ser confundido com um terrorista em uma estação de metrô em Londres.
No elenco, estão Selton Mello, no papel de Jean Charles; Vanessa Giacomo, como sua prima Vivian; e a atriz irlandesa Eva Birthistle (de Apenas um Beijo, de Ken Loach), como a garota inglesa por quem Jean se apaixona.








