Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Caderno G
  3. Festival lembra os 70 anos da pianista russa Olga Kiun

Erudita

Festival lembra os 70 anos da pianista russa Olga Kiun

A virtuose chegou há duas décadas a Curitiba, onde ensinou a escola russa de piano

  • Rafael Rodrigues Costa
 |
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Festival lembra os 70 anos da pianista russa Olga Kiun

Nos mais de 20 anos que passaram desde que Olga Kiun chegou a Curitiba para ficar, a pianista russa aprendeu a conviver com alguns costumes mais, digamos, tropicais de seus alunos. Tais como aquele íntimo tapinha nas costas, algo inimaginável na cerimoniosa relação que a musicista teve com mestres como Lev Oborin (1907—1974), com quem teve aula aos 17 anos no Conservatório Tchaikovski, em Moscou, e cujo retrato mantém na parede do escritório junto de Rachmaninov, Beethoven, Chopin e uma frase de Mahler: “Para o sucesso nada pode tomar o lugar da persistência”.

É esse rigor que, resistindo ao tempo, fez de Olga uma referência no ensino de piano na capital paranaense – legado que será celebrado ao longo desta semana pelo Festival Olga Kiun, que começa hoje com um recital da própria homenageada dedicado a Rachmaninov.

Organizada por ex-alunos por ocasião do aniversário de 70 anos da pianista e dos 20 anos de sua chegada a Curitiba, celebrados no ano passado, a programação de recitais acontece na Capela Santa Maria e inclui a apresentação da integral dos concertos para piano e orquestra de Beethoven no fim de semana.

“A excelência musical de Olga Kiun não tem precedentes em Curitiba, embora tivéssemos outras grandes professoras, como a Henriqueta Duarte”, explica o ex-aluno Luiz Guilherme Pozzi, um dos organizadores do festival, lembrando que Olga chegou a dar aulas para os próprios professores da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap) quando se fixou na capital paranaense. “E a cobrança dela também é sem precedentes. Ela é extremamente detalhista. Já fiquei mais de uma hora e meia com ela apenas sobre uma linha da partitura”, conta.

Olga explica que encontrou em Curitiba um cenário de ensino de piano influenciado principalmente pelas escolas francesa, alemã e americana, cabendo a ela a tarefa de introduzir por aqui a prestigiada escola russa. “É uma escola muito valorizada no mundo todo até hoje. Você encontra músicos russos em instituições de ensino de música de quase todos os países”, lembra a pianista, que conta ter sido bem recebida por aqui apesar das condições adversas em que chegou – vinda de ônibus do Peru, onde encerrara uma turnê com a Orquestra Sinfônica da Moldávia, com apenas US$ 100 no bolso e a porta de um tio-avô para bater.

Caso decida por se mudar novamente – não para a Rússia, onde não tem mais ninguém, mas para São Paulo, onde mora uma das filhas –, ela diz apostar nos bons pianistas que ajudou a formar para transmitir o legado russo na terra dos pinheirais. Mas o trabalho continua: um dos recitais será apresentado por seu aluno mais jovem atualmente, Estefan Iatcekiw, de apenas 10 anos. “Depois de Pablo Rossi, eu disse que não ia mais dar aulas para crianças, porque é cansativo, e já não tenho paciência – afinal, quando vou ver os frutos desse trabalho?”, questiona. “Mas encontrei um menino talentoso. Aí, deu vontade.”

Concertos de Beethoven serão um ponto alto

Um destaque da programação do Festival Olga Kiun será a apresentação da integral dos concertos para piano e orquestra de Beethoven, que será tocada na sequência pela primeira vez em Curitiba, de acordo com os organizadores.

Com uma orquestra montada especialmente para o festival, regida pelo maestro Osvaldo Colarusso, os solistas Pablo Rossi, Davi Sartori, Paulo Emiliano Piá de Andrade, Olga Kiun e Luiz Guilherme Pozzi apresentam, respectivamente, os concertos 1 a 5. “Acredito até que o Concerto Nº 2 nunca foi tocado aqui”, especula Colarusso. O maestro explica que a integral mostra facetas diferentes na composição de Beethoven, que já estava com uma surdez avançada quando escreveu os últimos dois concertos. “A partir do quarto concerto, há uma ruptura gigantesca com os concertos 1, 2 e 3, que são extremamente mozartianos”, diz Colarusso, explicando que o compositor alemão era um grande admirador de Mozart – influência claramente revelada pelos concertos 1 e 3. “O Nº 1 é claramente uma nova versão do Concerto Nº 25,de Mozart, assim como o 3 é uma transformação do Concerto Nº 24”, descreve. A integral será dividida em dois dias – de 1 a 3, na sexta-feira, e 4 e 5, no sábado.

Há anos amigo de Olga Kiun, que descreve como um divisor de águas no ensino de piano em Curitiba, Colarusso também foi professor de quatro dos cinco solistas que vão apresentar a integral. “Para mim, vai ser uma festa também”, conta. “São cinco pianistas com estilos completamente diferentes. Isso vai ser muito interessante”, diz.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE