A disputa vai ser acirrada na Première Brasil do Festival do Rio 2005. Os filmes selecionados para a única mostra competitiva do evento são, em sua maioria, de qualidade comprovada em outros festivais, inclusive lá fora. Outros são inéditos e super aguardados, seja pelo nome do diretor ou por sua história. A seleção, recém-anunciada pela produção do evento, certamente levará muito mais público para as sessões dos longas nacionais que costumavam ficar vazias diante de um cardápio internacional atraente.

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O Festival do Rio, que acontece de 22 de setembro a 6 de outubro em 20 salas da cidade, será o cenário da estréia dos aguardados "Cidade baixa", de Sérgio Machado, e "Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes. Os dois tiveram grande repercussão na mostra Un Certain Regard, em Cannes, este ano. O primeiro traz Alice Braga (sobrinha de Sônia Braga) na pele de uma prostituta que se envolve com dois amigos, interpretados por Lázaro Ramos e Wagner Moura. Já o segundo, conta a história de um nordestino e de um alemão que se encontram no sertão.

Ao lado deles disputarão mais oito longas-metragens de ficção. Alguns inéditos em festivais e no circuito, como "A máquina", que mais uma vez reúne Wagner Moura e Lázaro Ramos. A produção, baseada na peça do diretor João Falcão sobre romance de Adriana Falcão, conta a história de amor de Antônio (vivido por Gustavo e João Falcão e, mais tarde, por Paulo Autran) e Karina (Mariana Ximenes), em meio a personagens fora do comum: Lázaro é um louco, Wagner Moura, um apresentador de televisão, Vladimir Britcha, um vendedor e Karina Falcão, uma jornalista inglesa."

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Não bastando, Lázaro Ramos faz parte de "Cafundó", outro longa selecionado para a mostra. O filme já rendeu o Kikito em Gramado para o ator, além dos prêmios de melhor fotografia (José Roberto Eliezer), direção de arte (Vera Hamburger) e o especial do júri na Serra Gaúcha. O filme é a estréia de Paulo Betti na direção.

"Vestido de noiva", primeira adaptação desta obra de Nelson Rodrigues para o cinema, também será fará pré-estréia no Festival do Rio. O longa foi rodado pelo filho mais velho do dramaturgo, o produtor de cinema Jofre Rodrigues. O longa conta com Simone Spoladore e Letícia Sabatella nos papéis das irmãs que disputam o amor do mesmo homem (vivido por Marcos Winter).

José Joffily, diretor de "Dois perdidos numa noite suja", levará para o Festival do rio o também inédito "Achados e perdidos". O longa é uma adaptação do livro homônimo de Garcia-Roza e tem, no elenco, Zezé Polessa. Juliana Knust e Antônio Fagundes, entre outros.

Beto Brant, que estourou em 2001 com "O invasor", adaptação da obra homônima de Marçal Aquino, estréia "Crime delicado". Trata-se de outra adaptação, dessa vez do livro de Sérgio Sant'Anna. O livro é uma experimentação, que envolve nomes como Marco Ricca, Luiz Fernando Carvalho e, novamente Marçal Aquino.

A comédia caipira "Tapete vermelho", de Luiz Alberto Pereira, diretor de "Hans Staden", também será lançado no Festival do Rio. Matheus Nachtergaele vive o papel de um ingênuo plantador de inhame determinado a cumprir uma promessa feita ao seu pai: presentear o filho com uma sessão de cinema com um filme de Mazzaroppi.

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"Vinho de rosas", de Elza Cataldo, já exibidos em pequenos festivais, mostrará o retrato das mulheres envolvidas na Inconfidência Mineira, incluindo uma "filha" de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Domingos Oliveira levará "Carreiras", adaptação da peça "Profissão: Âncora", que rendeu o prêmio de melhor atriz para Priscilla Rozenbaum, mulher do diretor e dramaturgo há 20 anos.

A Première Brasil já premiou os filmes "Tainá", de Tânia Lamarca e Sérgio Bloch e "O sonho de Rose - 10 anos depois", de Tetê Moraes, em 2000; "Bellini e a Esfinge", de Roberto Santucci e "Onde a terra acaba", de Sérgio Machado, em 2001; "Seja o que Deus quiser", de Murilo Salles e "Ônibus 174", de José Padilha, em 2002; "Narradores de Javé", de Eliane Caffé e "Fala Tu", de Guilherme Coelho, em 2003; e "Contra todos" de Roberto Moreira e Estamira, de Marcos Prado em 2004.