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As imagens de Alessandra Haro tratam de questões como aceleração, deslocamento e individualidade | Alessandra Haro / Divulgação
As imagens de Alessandra Haro tratam de questões como aceleração, deslocamento e individualidade| Foto: Alessandra Haro / Divulgação

Ela viveu nove meses na Espanha para realizar um mestrado em fotografia artística na Universidade Europeia de Madri. Voltou no início deste mês com material suficiente para realizar duas exposições. Nem bem desfez as malas, a fotógrafa curitibana Alessandra Haro já inaugura uma delas hoje, às 20h30, no Museu Guido Viaro.

"Foi um período não só de estudos, vivências, mas de muita produção", conta. Pudera. Fascinada pela vida nos grandes centros urbanos, a fotógrafa se perdeu pela frenética Madri para realizar as investigações que resultaram em Transeuntes, nome da mostra que ocupa o segundo lugar do espaço, com uma série de nove fotografias e um vídeo que, relacionados entre si, revelam aspectos do cotidiano urbano nas sociedades contemporâneas.

A artista explorou questões como tempo, espaço e individualidade a partir de conceitos do antropólogo francês Marc Augè, uma das principais referências usadas em sua dissertação. "Vivemos em um tempo acelerado. Há uma enorme quantidade de informações, de fluxos, e a forma como nos relacionamos com os espaços urbanos, e como eles se relacionam conosco, podem levar ao individualismo. Isso se nota de forma marcada na Europa, mas aqui também já está acontecendo", diz Alessandra.

As fotos de pessoas anônimas pelas ruas, portanto, poderiam ter sido feitas em Nova York, Milão ou São Paulo, onde o modo de vida das pessoas é influenciado pelas novas dinâmicas sociais que se configuram. "Claro que cada país tem suas diferenças culturais, mas independentemente disso, vivemos uma mudança de comportamento. Sociólogos, artistas e outros profissionais se dedicam a estudar e a explorar isso porque é realmente algo novo. Estamos no olho do furacão e não sabemos onde tudo vai parar", diz a artista. Basta lembrar, por exemplo, da absoluta solidão de muitos indivíduos que, no entanto, estão em contato direto com colegas de trabalho, familiares, vendedores e multidões que caminham pelas ruas.

A artista de 33 anos pensa também nas consequências que a vida mediada pelas novas tecnologias trará nas configurações sociais. Ao mesmo tempo, se deslumbra com as possibilidades trazidas por essas evoluções que transparecem, inclusive, no seu próprio modo de fotografar. Tanto as fotos como o vídeo de Transeuntes foram feitos com um mesmo equipamento: uma câmera fotográfica digital que filma em HD. "Hoje, os fotógrafos estão se transformando em videomakers e vice-versa, há uma interpenetração de meios que traz resultados muito interessantes", conta.

Uma das questões que discute em suas imagens, por exemplo, é o processo de manipulação digital. "Às vezes, nos pegamos observando uma imagem com a certeza de que ela foi construída digitalmente e não foi. Coloco no trabalho esse questionamento: até que ponto nos relacionamos com a manipulação e esquecemos que existem outros processos de produção?", diz.

Alessandra tem olhar fotográfico impactado por diversas referências e tecnologias, a principal delas é, certamente, o cinema e o vídeo, área em que atua com paixão – já participou de mais de 30 filmes em diversas funções, o último deles foi Estômago, do curitibano Marcos Jorge, como produtora de locação. "As pessoas dizem que minha fotografia é cinematográfica e minha direção de vídeo é fotográfica", diverte-se.

Serviço:

Transeuntes, no Museu Guido Viaro (R. XV de Novembro, 1.348), (41) 3018-6194. Abertura ocorre hoje, às 20h30. Horário de visitação é de terça-feira a sábado, das 14 às18 horas. Até 27 de novembro.

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