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Cate Blanchett e Russell Crowe: colóquio amoroso entre Robin e Marian é uma atração à parte | Divulgação
Cate Blanchett e Russell Crowe: colóquio amoroso entre Robin e Marian é uma atração à parte| Foto: Divulgação

O interessante de Robin Hood, mais recente longa-metragem de Ridley Scott que agora chega às locadoras, é que o filme não tem a pretensão ser leve e divertido como produções do gênero costumam ser. O diretor nega, dessa forma, uma tendência desoladora que vem contaminando o cinema norte-americano ano a ano.

É uma história de aventuras? Sim. Tem elementos de épico histórico? Também. Mas por que então não é acelerado, recheado de piadas e efeitos especiais em 3D? Talvez porque, contrariando a imbecilização reinante na produção de entretenimento que se espalha por aí, a opção de Scott tenha sido por focar, sobretudo, nos personagens e na trama.

É claro que nenhum filme que carregue o título de Robin Hood pode ser, digamos, complexo e cerebral demais – a exceção a essa regra talvez seja Robin e Marian (1976), com Sean Connery e Audrey Hepburn, já na meia-idade, nos papéis principais.

A versão de Ridley Scott da lendária história do ladrão-arqueiro que rouba dos ricos para ajudar os pobres se preocupa ao menos em tentar contextualizar a trama historicamente – na Inglaterra do século 12, quando o rei Ricardo Coração de Leão morre na França, enquanto saqueia castelos para encher seus cofres vazios, e a coroa vai parar na cabeça do irmão, o frívolo João. Eram tempos de extremas dificuldades para os súditos ingleses, que trabalhavam e produziam para manter uma mo­­narquia falida e, com João no trono, se tornou ainda mais decadente e abusiva.

O longa de Ridley Scott também se ocupa de contar a origem de seu herói, cujo pai pedreiro foi morto quando Robin ainda era garoto, porque ousou questionar o estado de coisas numa sociedade em que o povo nada podia frente à coroa. Russell Crowe, repetindo uma parceria com o diretor em Gladiador, Um Bom Ano e O Gângster, compõe um herói complexo, já em seus 40 anos, algo angustiado e melancólico, mas ainda assim capaz de boas tiradas sarcásticas e viril até a medula. Mas não se trata aqui de uma virilidade anabolizada.

O colóquio amoroso entre Robin e lady Marian (Cate Blanchett) é uma atração à parte. Há tensão sexual desde o primeiro encontro e a cena em que ela o despe – isso mesmo, é Robin quem tira a roupa para a câmera – é impagável. Porque não há aqui a ditadura estética imperante: nenhum dos dois é perfeito. Ele, apesar de musculoso, não esconde uma certa barriga. Ela, mesmo bela, tem rugas no rosto e nenhum vestígio de botóx, o que no século 12 seria no mínimo bizarro.

Robin Hood não é uma obra-prima, tampouco se situa entre os melhores filmes do diretor de Blade Runner, Alien – O 8.º Passageiro e Thelma & Louise. Mas é bom, tem ótimas cenas de ação e ousa ser sombrio quando a mídia impõe leveza e diversão a qualquer custo.

E um aviso importante: não desliguem o filme antes dos créditos finais, feitos em animação. São geniais. GGG1/2

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