A espanhola Cecília Giménez, 81, que danificou uma pintura de Jesus numa tentativa de restauração pensa em cobrar direitos autorais sobre a obra, que ficou famosa no mundo inteiro e virou alvo de piadas na internet.
Ao ver que a obra "Ecce Homo", pintada pelo artista espanhol do século 19 Elías García Martínez na parede do santuário Nossa Senhora da Misericórdia de Borja, em Zaragoza, estava danificada, a idosa resolveu restaurá-la "sem pedir permissão", mas "com boas intenções". Segundo a rede espanhola TVE, advogados da idosa analisam pedir os direitos autorais porque a fundação responsável pelo santuário está cobrando um euro dos curiosos que vão até o local apreciar a pintura, que ficou conhecida como "a pior restauração do mundo".
Na semana em que a notícia se alastrou pelo mundo, a senhora Giménez ficou de cama. Vizinhos e pessoas próximas disseram que ela estava com "ataque de ansiedade". Não por menos. Em poucas horas, o restauro desastroso começou a aparecer em paródias na internet. Em uma delas, Jesus aparece como o personagem Chewbacca, de "Guerras nas Estrelas". Também há versões em que o rosto de Jesus é substituído por um gato ou por outras figuras conhecidas.
A obra ganhou uma página no Facebook, chamada La señora que pintó el Troll de Borja, e uma hashtag no Twitter, #EcceMono -"mono" significa "macaco" em espanhol.
Circulou ainda um abaixo assinado pedindo à cidade de Borja que mantenha a pintura como está. "O trabalho realizado pela artista anônima no Ecce Homo do Santuario de la Misericordia de Borja supõe um reflexo inteligente da situação política e social do nosso tempo", afirma o texto.
"É uma crítica sutil às teorias criacionistas da Igreja", continua o documento, em tom jocoso. "O resultado da intervenção combina inteligentemente o o expressionismo primitivo de Francisco de Goya com figuras como Ensor, Munch, Modigliani e o grupo Die Brücke, pertencente à corrente artística do expressionismo alemão."
Recuperação
Em entrevista à rede espanhola TVE, a idosa disse que o padre da igreja na qual estava a obra sabia o que ela estava fazendo. "O padre sabia. Como ia fazer algo sem dizer nada se todo mundo que entrava me via pintando?", questionou. Ela disse também que decidiu retocar a pintura porque o salitre da parede da igreja estava quase destruindo a imagem. Segundo Giménez, esta não foi a primeira vez em que ela mexeu na pintura -informação confirmada por Teresa García, parente do pintor. "Antes ela já havia consertado alguns problemas na túnica [de Jesus]. O problema foi que desta vez ela mexeu no rosto", disse García. Duas restauradoras começaram a avaliar os danos e as possibilidades de recuperá-la, mas foram interrompidas por centenas de visitantes que se apinhavam no santuário para ver e clicar o Jesus de Cecília Giménez.
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