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O diretor de "Babel", o mexicano Alejandro González Iñárritu, criticou duramente esta segunda-feira seu compatriota Guillermo Arriaga, roteirista do filme, por querer "reclamar" para si a autoria da fita. Em uma carta entregue esta segunda para Arriaga - e que a revista "Chilango" publicará na sua próxima edição -o diretor mexicano diz ser uma "pena" que por culpa de uma "injustificada obsessão por reclamar sozinho a autoria de um filme" o roteirista parece "desconheer que o cinema é uma arte de profunda colaboração".

"Não foi - e nunca se deixou sentir - parte desta equipe e suas declarações levam a um ponto final deste maravilhoso e coletivo processo que todos nós vivemos e agora celebramos", afirma Iñárritu na carta.

Assina a carta toda a equipe de produção do filme, inclusive Gael García Bernal, Adriana Barraza, Rodrigo Prieto e o argentino Gustavo Santaolalla, ganhador do Oscar de melhor trilha por "Babel".

A mensagem acrescenta ser "uma pena" que, nas entrevistas dadas pelo roteirista à imprensa neste último ano, podia-se ler "mais que um reconhecimento ao trabalho de todos nós uma amargura e insistente necessidade de atrair a atenção da mídia".

Iñárritu termina a carta a Arriaga com um lacônico "sorte nos seus próximos filmes".

A revista "Chilango" havia incluído no seu último número uma extensa reportagem especial em que aparecia a versão de Arriaga sobre o rompimento na relação com Iñarritu, com quem escreveu sucessos como "Amores brutos" (2000), "21 gramas" (2003) e "Babel" (2006).

Na reportagem, o escritor confirma as desavenças que afloraram entre os dois cineastas. Arriaga não teria concordado com a maneira que o roteiro de "Babel" fora levado para as telas pelas mãos de Iñarritu, o que culminou na separação "criativa" dos dois. A revista revela, por exemplo, que algumas partes da versão final do filme não correspondem ao que está escrito no roteiro.

"Babel" conta quatro histórias que transcorrem em diferente lugares do mundo: na fronteira entre México e EUA, Marrocos e Japão.

Na parte japonesa, conta-se a história de uma adolescente surda, interpretada por Rinko Kikuchi, que se sente incapaz de ter uma relação sentimental, mas Arriaga garante que o roteiro originalmente tinha uma adolescente espanhola cega.

Arriaga também afirmou na publicação que Iñárritu foi se afastando dele gradualmente, a ponto de ser proibido por contrato de assistir às filmagens de "Babel".

Arriaga disse esta segunda-feira à emissora "W-Radio" que desconhece a carta de seu colega. "Não quero sentir que sou o autor do filme, porque um filme é de todos", afirmou na entrevista.

Ele garantiu respeitar o trabalho de seus companheiros e que a única coisa que tentou fazer era "restabelecer o papel do roteirista num filme".

No entanto, declarou que Iñarritu usou argumentos "extremos" ao se referir como "minha trilogia", quando deveria dizer que os três filmes foram feitos juntos. Lamentou que sua discussão "profissional" com o diretor chegou ao terreno público como se ele estivesse "contra todos" do filme. E se mostrou surpreendido com os atores que assinaram a carta.

Arriaga acredita que a posição dos atores foi "manipulada" e que enviará uma carta pessoal para cada um deles justificando sua opinião. O roteirista confirmou estar encerrada sua história de colaboração com o diretor mexicano, a quem deseja sorte no futuro, e disse que outras pessoas envolvidas em "Babel" não estão de acordo com a "forma como Alejandro conduziu o episódio".

"Babel", indicado a sete Oscar, recebeu apenas um prêmio e perdeu nas categorias mais importantes como filme e direção, para "Os infiltrados", de Martin Scorsese.

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