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Videocolagem sobre sons, de Alfredo Goya | Divulgação
Videocolagem sobre sons, de Alfredo Goya| Foto: Divulgação

O Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC) abriu suas salas às criações de artistas curitibanos ainda em formação. Até março próximo, o espaço apresenta um recorte da produção dos alunos de quatro instituições de ensino superior: a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Escola de Belas Artes (Embap), a Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e a Universidade Tuiuti. Com esse encontro, reforça a aproximação entre os novos artistas e os responsáveis por pensar o ensino da arte na cidade.

As linguagens adotadas variam tanto quanto possível. Aliás, para os curadores Paulo Reis, professor da UFPR, e Deborah Bruel, professora da Embap, a marca em co­­mum nesse conjunto artístico é a variedade que tende ao hibridismo. "Eles buscam escapar das linguagens mais tradicionais. Embora haja pintura e desenho, estão sempre relacionadas a outras possibilidades e a linguagens mais recentes", constata Deborah. "A experimentação, nesse sentido, é grande."

Paulo Reis confirma que a pesquisa desses artistas, seja em desenho, pintura, vídeo ou fotografia, quase nunca se restringe aos limites da linguagem específica. "Há gravuras com uma questão espacial instalativa, fotografias transitando pela área da narrativa, outras que trazem a questão do processo. Essa garotada está muito preocupada com o movimento entre as áreas."

As particularidades próprias de cada instituição se delineiam a partir do contexto de ensino. Variam de acordo com o diálogo com diferentes professores, que trazem suas referências e preferências, com as características dos laboratórios e as obras disponíveis nas bibliotecas. Por outro lado, assinala Reis, essa geração de alunos tem algo em comum, universalizante: o hábito de viajar para conhecer o que se faz nas bienais do Mercosul, de São Paulo ou no Rio de Janeiro. "A mobilidade é muito grande", diz ele.

O professor foi um dos encarregados a selecionar os trabalhos provenientes de alunos da UFPR. Para tanto, tentou fugir do modelo de salão de arte – com comissão julgadora e no qual a obra inscrita simplesmente é aceita ou não. Em vez disso, pedia a descrição das pesquisas desenvolvidas ou planejadas, para que o pensamento artístico já aparecesse no processo criativo, e se dispôs a conversar também com os não selecionados sobre seus trabalhos.

A pedido da Gazeta do Povo, Reis sugeriu e comenta quatro obras que mereceriam atenção redobrada ao se visitar o Possíveis Conexões.

Força

Antes de entrar no museu, no muro lateral, depara-se com o grafite de Deivid Heal, aluno da Tuiti. "Tem riqueza e força ex­­pressiva na imagem", comenta o professor.

Já no interior do MAC, à esquerda, se vê a caixa interativa da boneca Barbie, feita em madeira de tapume por Camila B. Noering, da UFPR. "Tem um lado brincalhão pop, de entrar e virar produto, e uma crítica embutida ao modelo de corpo mercantil, em crise."

Também à esquerda está a projeção criada por duas garotas da FAP, Susan Brodhage Sant’Anna e Kátia Villagra, que Reis destaca pela "inteligência de pensar a gravura, a matriz e a cópia, pelo vídeo".

Chegando ao andar de cima, do lado direito, na última sala, o espectador enfim encontra as intervenções feitas por Francinete Men, da Embap, em fotografias de barcos. "Fiquei encantado por mesclar de maneira tão delicada a cor da tinta com a água do mar", diz Reis.

Serviço

Museu de Arte Contemporânea – MAC (R. Desembargador Westphalen, 16), (41) 3222-5172. Terça a sexta, das 10 às 19 horas, sábado, domingo e feriados, das 10 às 16 horas. Entrada franca. Até 13 de março de 2011.

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