Elis Alves cita a leveza e a tela confortável do e-reader como motivos para seu “vício” no equipamento| Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo

Tira-dúvidas

Perguntas e respostas sobre a leitura digital:

Qual a diferença da leitura num e-reader e num tablet?

Primeiro e-reader a se popularizar, o Kindle, da Amazon, trouxe em 2007 o conceito de que a leitura numa tela podia ser confortável. Ele e seus similares (como o Nook, da Barnes & Noble, e o Alpha, da Positivo) são os equipamentos que se acomodam melhor aos olhos porque não emitem luz. Significa também que você pode levar o aparelho ao sol sem se incomodar com o reflexo. Por outro lado, não permitem ler no escuro.

Já os tablets ganharam força a partir do lançamento do iPad da Apple, em 2010. Eles são ideais para baixar revistas e jornais, mas a leitura prolongada pode cansar os olhos, uma vez que a tela é semelhante à do computador. Já o fato de ser um pouco maior pode ser uma vantagem.

Os dois tipos de aparelho permitem ampliar ou diminuir a fonte do texto e são muito leves.

Que tipo de aparelho tem mais recursos?

O leitor digital da Amazon tem a vantagem de ter uma bateria megadurável em comparação a outros equipamentos. Se a internet for acessada só para baixar livros, é possível usá-lo por um mês sem recarregar.

Já os tablets têm bateria com duração de 10 horas (iPad) a alguns dias. Outros recursos são semelhantes, como o marcador de texto e a consulta a dicionários, disponível em quase todos os equipamentos.

Quanto custa?

O Kindle não é vendido diretamente no Brasil. Para importar a versão com internet sem fio, você vai gastar US$ 139 mais impostos de importação, que chegam a 60% do valor do produto. A versão com internet 3G (que se conecta à internet por meio da rede de telefonia celular) sai por US$ 205 mais taxas.

O Alpha, da Positivo, custa em média R$ 700 e pode ser encontrado em livrarias ou lojas de eletrônicos.

Entre os tablets, o iPad 2 custa a partir de R$ 1.649 na Apple Store na versão com 16 GB de memória e internet sem fio. Chega a R$ 2.599 na versão com internet 3G e 64 GB de memória.

O Galaxy, aparelho da Samsung, sai por cerca de R$ 900 em lojas de eletrônicos, e a Positivo deve lançar seu tablet "classe média" em setembro.

Baixar livros consome quanto tempo?

Isso depende da velocidade da sua internet. Em geral, livros chegam em sua estante virtual, seja no tablet ou leitora digital, em até um minuto. Alguns aplicativos mais complexos para o tablet podem levar mais tempo.

Posso transferir o livro para onde quiser?

Para prevenir a pirataria, só é possível acrescentar arquivos ao tablet e ao e-reader (via download ou cabo), nunca retirar arquivos deles. Num leitor com memória de 2 GB é possível armazenar cerca de mil livros.

Qual aparelho tem a biblioteca mais completa?

Se você lê em inglês, sua vida está feita. O maior problema é a pouca oferta de livros em português. A loja do Kindle na internet oferece mais de 700 mil livros – mas, em sua loja virtual brasileira, há apenas 29 livros em português e quatro assinaturas de jornais nacionais.

A Apple tem cerca de 100 mil aplicativos projetados para o iPad, entre livros, jogos e outros.

Qual é mais fácil de usar?

Os dois equipamentos são bastante amigáveis, exigindo o toque em apenas um botão ou na própria tela para virar páginas instantaneamente.

Os tablets foram feitos para muitas outras coisas além de baixar livros: armazenar filmes e tirar fotos (caso da segunda geração do iPad), jogar etc. Um diferencial importante são os livros-jogos para crianças. Alice for the iPad, por exemplo, traz em quase todas as páginas um elemento que sobe ou desce na tela à medida que o aparelho é girado ou sacudido – recurso bem usado no momento em que a personagem de Lewis Carroll cresce e diminui.

Nos leitores digitais, a inexistência de aplicativos como esses pode ser vista como uma desvantagem ou uma vantagem, já que a concentração vai toda para a leitura.

CARREGANDO :)

A rapidez com que amantes fervorosos do livro em papel são conquistados para o leve mundo digital torna obsoleta a discussão sobre a sobrevivência da leitura no futuro. Mas o tema suscita debates acalorados, como ocorreu durante a Jornada Literária de Passo Fundo, no fim de agosto, quando o ensaísta argentino Alberto Manguel rebateu a editora de livros escocesa Kate Wilson após esta defender a elaboração de livros para tablets com temas em sintonia com as preferências dos leitores.

Quando ela mostrou um livro da editora Nosy Crow em que o leitor pode decidir a cor do vestido de Cinderela, entre outras ações, o intelectual pediu a palavra e disse que não sabia que faria parte da discussão "a deformação do leitor defendida com argumentos comerciais (...) É nocivo que uma crianças de 3 ou 4 anos seja introduzida à leitura dessa forma, aprendendo a ler na tela".

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O engraçado é que é justamente entre crianças que os livros animados, criados para tablets, têm a melhor aceitação, enquanto o leitor digital "simples" ganha fãs entre os mais diferentes tipos de adultos.

Uma delas é a engenheira cartógrafa Silvana Philippi Camboim, que pensou em comprar o Kindle devido a uma viagem a trabalho para São Tomé e Príncipe e às leituras técnicas requeridas pelo doutorado que realiza. "Seria pesado levar quilos e quilos de papel", justifica. Quando ganhou o equipamento do namorado, ela logo estendeu o uso também para o lazer em terras distantes, e baixou The Other Side of The Story, de Marian Keyes, por US$ 10, após se desanimar com a pouca oferta de títulos em português.

A leitura em inglês também motivou a fotógrafa Elis Alves a comprar o aparelho no início deste ano, por conta das viagens frequentes que faz ao exterior. Dizendo-se uma "viciada" no aparelho, ela compra somente obras em inglês – atualmente, está lendo Os Filhos de Húrin, de J.R.R. Tolkien, entre vários outros. "O único problema é que você acaba lendo uns cinco livros ao mesmo tempo", diz. O custo das obras no site Amazon.com varia de US$ 0,99 a US$ 15.

Conforto

Entre as diversas vantagens apontadas por ela estão o compartilhamento nas redes sociais, a possibilidade de fazer notas durante a leitura, a rapidez de acesso à obra e o conforto. "Ao contrário do que muita gente diz, é muito parecido com o papel. Também é bastante leve, você não precisa ficar trocando de mão."

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O escritor catarinense Cristovão Tezza, radicado em Curitiba, é leitor voraz do papel, mas usa bastante seu Kindle para ler ensaios e biografias em inglês. O autor, que também é colunista da Gazeta do Povo, diz que aproveita a disponibilidade gratuita de obras clássicas de mestres como Machado de Assis e Lima Barreto no ambiente digital.

Enquanto o leitor digital (ou e-reader) ganha adeptos, os tablets parecem servir para tudo, menos à leitura de livros por adultos. "Não conheço ninguém que leia [obras extensas] no iPad", conta o editor literário e diretor da Biblioteca Pública do Paraná, Rogério Pereira, que usa o equipamento para responder e-mails, ler jornais, escrever textos curtos e ler para os filhos.

Mercado

Em fevereiro deste ano, o norte-americanos e ingleses compraram mais livros digitais do que físicos. No Brasil, a venda de e-readers ainda engatinha, e o que anima o mercado é a expansão de vendas do livro físico, que cresceram 13,12% em 2010, elevando em 8,12% o faturamento das editoras.

Para as empresas pequenas do ramo, o bom momento propicia investimentos. "Investir no mercado digital não é exatamente uma questão de estratégia, mas de necessidade para a sobrevivência de qualquer editora", disse à reportagem o diretor editorial da Leya, Pascoal Soto.

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Interatividade:

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Colaborou: Isadora Rupp