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Entrevista

“A sedução fazia parte da linguagem das boates”, diz Ruy Castro

 | Chico Cerchiaro/Divulgação
(Foto: Chico Cerchiaro/Divulgação)

Em “A Noite do Meu Bem”, você comprova que o samba-canção já existia antes de ganhar esse nome e que sobreviveu ao fim da era das boates...

O samba-canção já existia no início dos anos 1930. Ele só não era chamado assim, pois o samba ainda era uma novidade, então era difícil identificar variações nele. Além disso, não havia um espaço adequado onde se desenvolver. Os cassinos eram locais muito grandes e era preciso preenchê-los com músicas “maiores”. Nas boates, o samba-canção achou seu lugar.

Essa simbiose entre um gênero popular e a canção ocorreu também em outros países?

A canção é o único gênero musical universal. Todos os países produzem (ou produziam) canções. E cada país o faz com determinado sotaque. A grande música americana dos irmãos Gershwin ou de Cole Porter é de canções com substrato de fox e jazz. Assim também os franceses, italianos e cubanos fizeram.

De onde veio a ideia de escrever sobre o período?

Sempre tive muita curiosidade e sempre ouvi e gostei muito da música. Minha geração não precisava mais das boates. Homens e mulheres iam a boate para beber e comer, mas sobretudo para ter contato físico durante as danças. Na minha geração, já podíamos namorar as colegas de faculdade e elas não precisavam mais ser virgens para não ficarem mal faladas.

A sedução fazia parte da linguagem das boates. Eram homens e mulheres adultos, em geral bonitos, ricos e bem vestidos que gostavam de seduzir uns aos outros.

Ruy Castro, escritor.

Mas antes da revolução sexual dos anos 1960, a “era das boates” oxigenou os costumes no país, não?

De 1947 até 1963 as boates foram importantíssimas nesse aspecto. A moral na classe alta que as frequentava mudou de forma peculiar. Muitos ali tinham casos discretos entre si e não se matavam por isso. Não havia cenas de ciúme ou divórcios, mesmo porque seria um problema desfazer os laços comerciais entre as famílias. A sedução fazia parte da linguagem das boates. Eram homens e mulheres adultos, em geral bonitos, ricos e bem vestidos que gostavam de seduzir uns aos outros.

Muitos personagens aparecem em outros livros seus.

Sim, os personagens são recorrentes e não tem como fugir disso, mas me preocupei em não repetir nenhuma história de qualquer outro livro meu.

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