Qual foi sua participação na adaptação de “O Filho Eterno” para o cinema?
Não tive nenhuma participação. Aliás, por vontade própria – acho que, ao ser adaptado para o cinema, um livro perde boa parte de sua autonomia literária e se torna obra do diretor. São linguagens bastante distintas, e o olhar do diretor deve ter sua independência respeitada. Uma adaptação é uma espécie de transfiguração de linguagens. Além do mais, o autor é sempre suspeito ao rever sua obra. É preciso um olhar de fora.
E qual a sua expectativa?
“O Filho Eterno” é a primeira produção de peso baseada numa obra minha. Vi a gravação de algumas cenas e venho acompanhando o filme de longe. Minha expectativa é muito boa – acho o Paulo Machline um excelente diretor, e a escolha dos atores – Marcos Veras, Débora Falabella e o menino Pedro – sensacional.
“O Filho Eterno” é sua obra mais premiada, ao mesmo tempo que tem um caráter autobiográfico. Isso faz com que, de alguma forma, você tenha uma relação especial com o livro?
De certa forma, sim. Talvez menos pelo livro em si, mas pelo impacto que ele teve na minha vida, no sentido prático mesmo. Graças ao livro, pude sair da universidade e passar a viver da literatura. Mas, é claro, tenho de continuar trabalhando, o que sempre é muito bom.
Ao ser adaptado para o cinema, um livro perde boa parte de sua autonomia literária e se torna obra do diretor
Antes de ir para o cinema, “O Filho Eterno” já havia sido adaptado para o teatro. Na sua opinião, o que faz dele uma obra capaz de dialogar com essas duas vertentes artísticas?
Eu diria que minha literatura tem sempre um pé no teatro e outro no cinema, por assim dizer. Minha linguagem literária, mesmo nos livros mais recentes e estruturalmente mais complexos, como “O Fotógrafo”, “Um Erro Emocional” e “O Professor”, deve bastante à “imagem” [costumo dizer que eu só escrevo o que eu vejo…] e à oralidade [gosto de ler em voz alta o que escrevo, para testá-los “na vida real”]. Lembro que a adaptação de “Trapo” para o teatro, nos anos 90, foi de uma simplicidade espantosa – parecia que eu tinha escrito uma peça de teatro e não um romance. Já a adaptação de “O Filho Eterno” ficou a cargo do Bruno Lara Rezende, que fez um trabalho maravilhoso.
Prisão de Filipe Martins por suposto uso do LinkedIn seria inadmissível em uma democracia, dizem juristas
Punições por contágio: STF enterra princípio básico do Direito Penal
TCU fará inspeção no Banco Central por supostas falhas na liquidação do Master
Polícia Federal determina volta de Eduardo Bolsonaro ao trabalho no Rio