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Retrato de Percy Shelley feito por Alfred Clint | National Portrait Gallery/Wikimedia Commons/
Retrato de Percy Shelley feito por Alfred Clint| Foto: National Portrait Gallery/Wikimedia Commons/

Para ser sucinto, diria que o que aprendi com Shelley foi algo sobre as relações de poder e como elas se estabelecem a partir da linguagem. O conflito do “Prometeu Desacorrentado” gira em torno disso, do potencial revolucionário que Prometeu representa contra forças da tirania de Júpiter (que é a cor romântica jogada sobre o mito grego tal como aparece em Ésquilo), mas a coisa vai mais longe.

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Não se trata só do problema de se vencer Júpiter, mas de que quem quer que o derrube, como ele derrubou o pai, corre o risco de se tornar outro tirano igual.

Para Shelley, esse foi um problema sobretudo para a Revolução Francesa, que lhe serve o tempo todo de referência, mas é igualmente recorrente em todo o século 20. Que ele tenha tido essa capacidade de visão no começo do 19 é impressionante.

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A ideia do “Prometeu” aparece não só em Shelley, mas também em Byron, Goethe, Herder e ainda na música de Beethoven, Schubert, Lizst. O que esse pessoal tem em comum é que partilham do espírito do romantismo, que vai enxergar um tipo de santo padroeiro na figura de Prometeu, o titã que cria o ser humano a partir do barro e lhe dá o fogo, roubado dos deuses, motivo pelo qual é duramente castigado.

Pode-se dizer que a partir do romantismo as capacidades criativas do ser humano passam a ser divinizadas ao mesmo tempo em que a transgressão, seja ela estética, seja ideológica em relação aos valores dominantes, passa a ser um valor ativamente procurado pela literatura, o que perdura até hoje.

Prometeu, então, incorpora as duas coisas: ele é um criador e um benfeitor da humanidade (e o fogo tem um caráter metafórico também, como o fogo da imaginação) e um transgressor castigado pela ordem vigente.

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