A jornalista Marleth Silva chegou a pedir licença do trabalho para escrever o livro| Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
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A população está envelhecendo, mesmo em um país até pouco tempo considerado de jovens, como foi o Brasil. Não é mais. Situação difícil não só para o Estado, mas principalmente para idosos e familiares, em geral quem cuida deles. É desse universo que trata o livro "Quem Vai Cuidar dos Nossos Pais?" (Ed. Record, 240 p., R$ 31,00) – de Marleth Silva, editora-executiva de cadernos da Gazeta do Povo – selecionado nesta terça-feira (19) como finalista do 49.º Prêmio Jabuti, a maior premiação de livros do país.

O livro de Marleth está entre os 10 finalistas na categoria "Melhor Livro de Educação, Psicologia e Psicanálise", uma das 20 divisões do prêmio. Foram mais de 2 mil obras inscritas, das quais 200 serão avaliadas na segunda fase. A jornalista ficou surpresa com a indicação. "Nunca imaginei nem participar da premiação", afirma. O resultado final, com os três primeiros colocados em cada categoria, deve ser conhecido no dia 15 de agosto, mas Marleth já se diz satisfeita. "Só o fato de estar na final já está muito bom", completa.

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O livro

Apesar do que possa parecer, a autora enfatiza que o livro não é um manual, nem auto-ajuda, mas um ensaio sobre os cuidadores, pessoas comuns que se deparam com a dificuldade que é tomar conta de idosos dependentes, seja devido a idade ou por doenças. "Tive a idéia de escrever o livro pois vi muitas pessoas a minha volta que estavam nesta situação, cuidando de idosos", explica Marleth, que após 4 anos de projeto se afastou por sete meses do trabalho para escrever o livro.

A obra é composta de depoimentos de cuidadores de diversas localidades do Brasil e revelam sentimentos e situações semelhantes entre eles. A intenção, segundo a autora, foi promover a comunicação entre as pessoas que estão nessa situação, para que elas não se sintam mais sozinhas. "Vi que havia muito pouca coisa sobre o assunto [...] Escrevi esse livro para essas pessoas", diz a autora.

No entanto, o livro pode chocar quem não está acostumado com a situação. Os assuntos são densos, e envolvem a morte, o sacrifício, e outros temas que muitas pessoas preferem não discutir. "Há um certo medo de pensar nestas questões. As pessoas preferem deixar para depois", explica Marleth.

Mas é um assunto importante, tanto no âmbito familiar, ao que normalmente se resume a questão no Brasil, quanto na esfera pública. Os cidadãos idosos e sua qualidade de vida afetam diretamente o Estado. Segundo a autora, outros países vivem uma situação melhor nesse aspecto com, inclusive, programas de apoio para auxiliar as famílias com idosos dependentes. "É um problema também econômico que demanda um Estado mais ativo", afirma a autora.

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