Estrear já sendo premiado é uma conquista para poucos em qualquer área de atuação. Na literatura, a premiação abre portas para que a obra seja mais divulgada e conquiste novos leitores. O paranaense que recentemente conseguiu esta façanha foi o escritor curitibano Mário Araújo, 43 anos, que conquistou o terceiro lugar na categoria Contos e Crônicas do Prêmio Jabuti 2006, com o livro "A Hora Extrema", lançado pela editora 7 Letras, no ano passado.
"O Jabuti de bronze acabou sendo um belo primeiro passo. Dá um grande estímulo para escrever mais e tentar fazê-lo melhor", disse Mário Araújo, seguindo os passos do amazonense Milton Hatoum, que teve três romances premiados com o Jabuti. "Eu estava aguardando a divulgação da lista de dez indicados ao Jabuti e fiquei contentíssimo quando vi meu nome nela. Achei excelente para um livro de estréia e nem me preocupei. A indicação já era suficiente. Agora, com o resultado final, espero que a obra seja lida por mais e melhores leitores", comentou o autor em entrevista por e-mail.
Saga
Integrante de uma nova geração de autores locais, Araújo contou que ouviu muitos nãos e reescreveu diversas vezes seus contos até chegar a publicação de "A Hora Extrema". "Publicar não é nada fácil. A minha saga durou oito anos. Não sabia a quem recorrer, mandei textos para concursos e não ganhei, mandei para editoras e elas não respondiam. Até que uma grande editora me respondeu, depois de um ano, dizendo que meu texto tinha muitos problemas mas algum talento. Após me recuperar das críticas achei que valia a pena insistir". O apoio final veio do escritor Luiz Ruffato, que Araújo conheceu após ler uma entrevista. "Eu mandei três contos para ele ler. Ele gostou e deu uma força incrível para eu publicar e acabou se oferecendo inclusive para escrever a orelha do livro. É o padrinho de A Hora Extrema", afirmou Araújo.
As imagens e pensamentos que o silêncio provoca é a temática principal do primeiro livro de Araújo. Para o autor, a inspiração é um processo importante para criar uma obra. "No meu caso, pode vir do passado, do cinema, de um livro, de um novo ângulo pelo qual se vê uma coisa velha, da conversa com outras pessoas, das histórias que elas contam. Tudo serve para dar o primeiro impulso", setenciou.
O livro apresenta 16 contos, alguns descrevem cenas corriqueiras, outros imaginárias. O que dá título à obra relata a excitação e curiosidade de um menino sobre o que acontece quando chega a meia-noite. As observações de um garçom sobre os clientes e o seu trabalho no restaurante onde atua; o sentimento de quem perde o dente em meio ao trabalho intenso e referências a localidades de Curitiba estão no texto.
Trabalho
Formado em Educação Artística pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mário Araújo trabalhou como arte-educador e atuou como redator publicitário, até ser aprovado na carreira de diplomata em 1993. Daí ele passou a conciliar a escrita com o trabalho, escrevendo à noite e nas horas de folga. Há um mês assumiu um posto na embaixada brasileira de Túnis, na Tunísia, onde deve ficar por dois anos. A transferência recente deve impedi-lo de vir para festa de entrega do prêmio, marcada para setembro, em São Paulo. "Como acabei de chegar vou demorar a ter folga".
Entre os projetos futuros, Araújo disse que tem a intenção de escrever um romance. "Estou trabalhando em um segundo livro de contos que pretendo terminar até o final do ano. Adoro a forma econômica e enxuta dos contos, mas quero me arriscar em obras de maior fôlego". Vamos aguardar!







