• Carregando...
Supla lançou em Curitiba seu livro “”Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro” | Divulgação/
Supla lançou em Curitiba seu livro “”Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro”| Foto: Divulgação/

“A vida é injusta, champs”, filosofou Supla. A reflexão surgiu como resposta a um aspirante a roqueiro inconformado com falta de caminhos, enquanto funkeiros se locupletam no sucesso.

O “charada brasileiro” foi incisivo: “Foca no teu trabalho. Faz o que você acredita. Arruma outro trampo. Eu fui demolidor de parede. Se não der certo, você foi honesto consigo mesmo”.

Foi apenas um dos conselhos edificantes (‘façam esportes’, ‘acreditem nos seus sonhos’, ‘não confiem em políticos’, ‘nunca desprezem trabalho’, etc..) que Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, o Supla distribuiu junto com autógrafos em seu primeiro livro “Supla: Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro” num evento no fim da tarde de terça-feira (15), numa livraria no Portão.

No happy hour com o “papito”, muitos jovens e senhoras que o conheceram em reality-shows na televisão nos últimos anos e fãs antigos que o viram tornar-se um dos personagens improváveis do showbiz brasileiro nas últimas três décadas.

Aos 49 anos, Supla é gentil e bem humorado com o público que parou para ouvi-lo. Mas ainda é Supla em tempo integral. Com o proverbial cabelo espetado, dá jabs de esquerda no ar (foi boxeador amador) ou mostra-o dedo médio para pontuar sua prosódia que mistura inglês de rua de Nova Iorque com sotacão paulistano.

No livro, em 50 crônicas que contam sua trajetória de filho de professores esquerdistas nos EUA, foi o caçula do rock nacional nos 1980 até virar à estrela de programas de “namoro na TV”. Se tem veia de cronista, não sei. Mas não se pode negar que Supla sabe contar suas histórias.

Como a do romance com a musa punk alemã Nina Hagen. Supla conta que tinha 17 anos quando a viu pela primeira vez no Rock In Rio I. “Pensei: Porra que mina da hora. Imagina eu beijando aquela boca”.

Minha casa virou comitê. Acordava e tava lá o Lula, o Sócrates, o José Genoíno falando de política na cozinha... Imagina acordar e dar de cara com Genoíno?

Supla

Uma ano depois, tinha gravado com seu grande hit (“Garota de Berlim”), com Nina que o recebeu no Aeroporto de Los Angeles de limusine. “Ele me botou uma ‘parça de erva’, me levou num restaurante japonês e depois na casa da Adelyne , uma bombshell dos anos 1980 que vivia só de ser gostosa: não cantava, não era atriz e tinha uma casa cor-de-rosa. No mesmo dia, joguei baquete com os Red Hot Chili Peppers...”. E seguiu contando histórias com personagens como Cazuza, Silvio Santos e os Sex Pistols.

No final , Supla falou de política com a experiência de quem viu o projeto politico do PT nascer dentro de sua casa. “Minha casa virou comitê. Acordava e tava lá o Lula, o Sócrates, o José Genoíno falando de política na cozinha... Imagina acordar e dar de cara com Genoíno?”, indagou. “Na época, eles tentavam pensar um Brasil melhor. Hoje a situação é crítica. O Lula perdeu a chance de acabar com isso de pagar para nego votar em projeto. Fez coisas boas, mas deixou se levar pela corrupção”, disse.

Para ele, há pouca saída, pois “metade do congresso tem culpa no cartório”. “Tinha que ser uma coisa sem lideres. Fico mais triste vendo as pessoas brigando pelos partidos, apontando o dedo um pro outro e esquecendo do Brasil”.

Cantor apresenta sua face cronista

“Decidi escrever antes de fazer 50 anos, por que vai que eu morro um dia destes e fica tudo no ar”, explica Supla sobre o s motivos que o fizeram colocar no papel algumas das histórias que fizeram sua lenda no rock nacional no livro “Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro”.

Ilustrados com fotos de sua coleção particular, Supla conta em cinquenta crônicas suas peripécias com o tom despojado e com o humor que lhe são peculiares. “São como conversar de bar”, disse resumindo seu estilo como cronista. O livro tem prefácios assinados por seus pais, a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy e pelo ex-senador Eduardo Suplicy, a obra traz na capa um retrato clicado pelo lendário fotógrafo norte-americano Bob Gruen, que ficou famoso pelo icônico registro de John Lennon com a camiseta “New York City”.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]