
A visão de um comerciante, um carcereiro e suas esposas sobre a guerra civil no Afeganistão é a base do drama existencial que constitui a peça Kabul, em cartaz neste fim de semana no teatro da Caixa Cultural.
Produção da companhia carioca Teatro Amok, com direção, texto e concepção da brasileira Ana Teixeira e do francês Stéphane Brodt, o espetáculo é uma parceria com o Encontro Mundial das Artes Cênicas (Ecum), realizado em 2006. O projeto, intitulado Teatro em Tempos de Guerras, se iniciou com a peça O Dragão.
Kabul é grafada com K porque teve como inspiração o livro Andorinhas de Kabul, do argelino Yasmna Khadra, e foi baseada no conflito civil que ocorre desde 1978 no Afeganistão.
Os personagens abordam a questão universal do homem diante das violências de sua época. A companhia Teatro Amok costuma realizar uma pesquisa de linguagem cênica e investe no trabalho de construção dos personagens. Também houve pesquisa musical na realização que traz à cena canções afegãs tocadas ao vivo com instrumentos originais estes, de certa forma, conduzem a trama por meio de suas sonoridades.
A peça também marca o encontro de três ex-integrantes da célebre companhia teatral francesa Teatro do Soleil: Carlos Bernardo (música e interpretação), a atriz Fabiana de Mello e Souza e o próprio Stéphane Brodt, que também interpreta.
O grupo teatral dirigido por Arianne Mnouchkine influencia diretamente o trabalho da Teatro Amok, desde sua criação em 1998. As outras grandes influências são Etienne Decroux, um dos mestres do teatro ocidental do século 20, e Antonin Artaud, artista multidisciplinar da mesma época.
Teatro Amok montou diversos espetáculos como Cartas de Rodez (1998), O Carrasco (2001), Macbeth (2004) e Savina (2006). Além disso, desenvolve atividades pedagógicas de ensino de teatro em sua sede no Rio de Janeiro, a Casa Amok. Um pouco deste aspecto da companhia será mostrado em Curitiba pela diretora Ana Teixeira que ministra uma oficina de técnica e improvisação no espaço Caixa Cultural, de 28 a 30 de agosto.








