
O Partido dos Trabalhadores encerrou seu 8.º Congresso Nacional com a aprovação e a divulgação de um manifesto em que exalta os feitos – alguns reais, outros ilusórios, outros fora de contexto – do terceiro mandato de Lula e repete o mantra da “herança maldita” para explicar tudo o que não deu certo. É um documento redigido com o olhar para as eleições de outubro, obviamente; mas quem quer que o leia com critério perceberá que ele acaba sendo uma ótima peça publicitária... para a oposição. Afinal, boa parte do que está ali, se tornado realidade, seria uma verdadeira catástrofe para o Brasil.
A começar, claro, pela declaração de que o “horizonte programático” do partido é o “socialismo democrático” – uma impossibilidade em si, já que não existe nenhum exemplo bem-sucedido de regime socialista que também seja democrático, e a história mostra muito bem que, tendo de escolher entre o socialismo e a democracia, líderes com a mesma ideologia do petismo sempre ficam com aquele e acabam com esta. Não à toa, tudo o que aparece no manifesto com o termo “democratização” significa, no fundo, que o setor em questão deve ser colocado sob a tutela do partido, o autoproclamado representante do povo. “Democratizar” a comunicação, por exemplo, é o eufemismo para a censura ditada pelo governo; “democratizar” o campo é o código para a violação do direito de propriedade; e assim sucessivamente.
O que o PT promete é mais controle estatal sobre a sociedade, mais intervencionismo na economia, e mais estímulo à irresponsabilidade no gasto público
Curiosamente, entre os alvos da “democratização” petista está, agora, o Judiciário. Ao que tudo indica, já não basta, para o petismo, que a Justiça brasileira, especialmente os tribunais superiores, tenha livrado Lula da cadeia e limpado sua ficha, tenha demolido a Lava Jato, esteja perseguido ferozmente os críticos – famosos e anônimos – do governo, e faça ativismo judicial em prol das plataformas petistas em assuntos de comportamento: é preciso botar o cabresto de vez nos juízes e ministros. E o documento ainda foi redigido, aprovado e publicado antes de o Senado humilhar Lula, recusando o nome de Jorge Messias para o STF; é de se imaginar o que os petistas teriam incluído no manifesto a respeito do Judiciário se ele tivesse sido escrito após a derrota.
Quanto trata de economia, o petismo se limita a uma ladainha de indicadores positivos, comparados com o mandato anterior, sem considerar o estrago feito pela pandemia, primeiro com a devastação dos negócios graças ao “fecha tudo”, e depois com a enorme pressão inflacionária oriunda da retomada da atividade econômica. Como já se esperava, o petismo afirma ter trazido “a inflação de volta à meta”, uma afirmação duplamente mentirosa – primeiro, porque a meta é de 3% ao ano, enquanto os 4,5% são apenas o limite superior da banda de tolerância; segundo, porque o mérito por não deixar a inflação fugir do controle é da política monetária contracionista do Banco Central, não do governo. A contribuição de Lula vai na direção contrária: provocar inflação ao basear toda a sua política econômica no estímulo ao gasto governamental e ao consumo das famílias – um roteiro que, de acordo com o manifesto, será mantido em um eventual quarto mandato lulista. E, com a dívida pública crescendo quase dez pontos como proporção do PIB no atual mandato, o PT ainda tem a desfaçatez de afirmar que “todos esses resultados foram conquistados em conjunto com a melhora das contas públicas”.
VEJA TAMBÉM:
Em resumo, o que o PT promete é mais controle estatal sobre a sociedade, mais intervencionismo na economia, e mais estímulo à irresponsabilidade no gasto público. Uma receita desastrosa, evidentemente, mas que o petismo tenta embalar de forma bonita, embora um tanto passivo-agressiva, ora ressaltando números como o baixo desemprego, ora afirmando que, se não mantiver o PT no poder, o país cairá nas garras da “extrema direita fascista”. Nada que o Brasil já não conheça, vindo de onde vem; mas é um sinal forte de que o petismo não tem mais nada a oferecer ao país além das receitas antigas que dão resultados de curto prazo enquanto plantam estagnação e recessão econômica, e que ocultam o avanço do Estado sobre a sociedade usando a camuflagem da “democratização”.







