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A paranaense Debora Balardini está ansiosa para voltar a interpretar nos palcos locais: trabalho baseado no instinto | Divulgação
A paranaense Debora Balardini está ansiosa para voltar a interpretar nos palcos locais: trabalho baseado no instinto| Foto: Divulgação

Logo que começou a conversa por telefone com a Gazeta do Povo de sua casa em Nova York, a atriz e bailarina Debora Balardini foi avisando: "Olha, quando quiser me interromper, me interrompa. Eu não pago para falar, hem! Adoro conversar". Vivendo em um dos maiores centros urbanos do mundo há 17 anos, ela volta para Curitiba no próximo mês para encenar a peça FourLegged Melancholy (ou Melancolia em Quatro Patas) no Fringe, a mostra paralela do Festival de Teatro, junto com a atriz Sandie Luna, sua parceira de trabalhos em uma companhia de teatro físico (a Nettles Artists Collective)."Estou ansiosa, mas não sei o que esperar. Meus amigos e parentes não me veem mais no palco desde que fui embora. Será um reencontro."

Depois de graduar-se, Debora foi para o Japão, país em que ficou por seis meses com uma companhia de bailarinos e músicos. Pouco após o retorno, surgiu a oportunidade de ir para Nova York, onde o teatro acabou ocupando o lugar da dança. "Fui para ficar dois meses incentivada por uma amiga, sem grandes pretensões, e acabei ficando 17 anos". A atriz conta que nunca teve vontade de atuar em televisão ou cinema. "Adoro filmes, mas não me exponho ao cinema e à televisão. A minha vida sempre foi dentro do teatro, sou fissurada por isso."

Casada com o escritor Duke York (que, inclusive, conheceu nos palcos fazendo uma turnê de três meses com Dom Quixote) e com um filho de seis meses, Gustavo, Debora está agora estabelecida dentro das artes cênicas, mas nem sempre foi assim. Por anos ela trabalhou como recepcionista em um salão de beleza para conseguir bancar a atuação. "Isso me permitia ganhar um salário decente, pagar meu aluguel, meus cursos de teatro. Algo que, pelo menos na época, era inviável no Brasil. Agora o Brasil é uma potência, todos comentam o país. Mesmo assim, não sei se hoje seria possível trabalhar com teatro da forma como trabalho nos Estados Unidos." A atriz, aliás, não pensa em voltar ao país natal, mesmo com a perda de subsídios que as artes em geral tiveram nos EUA por causa da crise econômica. "Hoje eu penso que o meu lugar é aqui. A bagunça de Nova York me agrada muito. Não acredito que a cidade seja um retrato da sociedade norte-americana, tamanha a mistura cultural que existe aqui."

Peça

Apesar do gosto pela atuação, a técnica que estará presente no espetáculo do Fringe é baseada em teatro coreográfico, vindo da Pantheatre Company, de Paris, onde Debora faz cursos regularmente, e que contempla a expressão corporal do artista. "É um trabalho baseado no uso do instinto e imagem por meio do movimento do ator. Ou seja, damos corpo à ficção. O ator deve se desprover do ego e se descamar." A montagem, explica a atriz, será composta por solos dela e de Sandie, que acontecem na mesma noite e podem, ou não, ter haver um com o outro. "O público deve vir preparado para imaginar da mesma maneira que trazemos o nosso imaginário para o palco. É um teatro de conceito. A peça em si é uma quebra de paradigmas."

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