| Foto: Divulgação

O evento

A organização da Quadra Cultural espera atrair um grande público para o bairro São Francisco, em Curitiba. O local terá praça de alimentação, bazar, lançamento da editora Tulipas Negras e um bicicletário para 500 magrelas. Veja a programação:

11h

Espetáculo infantil – Tabuleiro de Ritmos

12h

Wandula

13h

Espetáculo infantil – Terezinha, uma História de Amor e Perigo

14h

Confraria da Costa

15h30

Uh lá lá!

16h45

Desfile de roupas à venda no local

17h

Klezmorim

18h30

Gente Boa da Melhor Qualidade

20h

Germano Mathias

CARREGANDO :)

O tipo é de sambista malandro, à moda antiga: chapéu panamá, camisa elegante e sapato de bico fino "de matar barata no canto da sala". "Me apresento com requinte", brinca o cantor e compositor paulistano Germano Mathias, aos 77 anos de idade e 56 de carreira – principal atração da Quadra Cultural, evento que começa hoje, às 11 horas.

A apresentação não para por aí. Mathias não abre mão do título de "Catedrático do Samba", apelido que assimilou no fim da década de 1960 após ser diplomado como "bacharel" pela escola de samba X-9 Paulistana. É que o sambista, que foi sucesso a partir da década de 1950, voltou a ser cultuado há poucos anos e vive uma boa fase de reconhecimento como principal representante do samba sincopado – um subgênero do samba caracterizado por melodias descoladas do ritmo.

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"Faço samba de raiz e tradição, sem deturpação harmônica e de ritmo. É sincronizado e de divisão marcante", explica Mathias. Ele diferencia o seu estilo do pagode, por exemplo, que seria "mais light". "O meu não atrasa", garante o músico, que é referência da tradição paulistana. Tanto é que, não fosse pelas consequências de um tombo, que há quatro anos o impedem de tocar com o braço direito, Mathias levaria ao palco sua tradicional latinha niquelada – uma referência ao tempo das rodas de samba dos engraxates no centro de São Paulo.

O show

Com a responsabilidade de ser "o último dos moicanos", Mathias defende composições de sambistas da velha guarda, como Zé Keti, Padeirinho da Mangueira e Jorge Costa, de um jeito que, de acordo com ele, ninguém mais consegue fazer. Acompanha o sambista o conjunto Partido Alto na Cozinha, que tem uma formação tradicional – violão de sete cordas, cavaquinho, pandeiro, trombone e surdo. No repertório, músicas como "Guarde a Sandália Dela", do próprio Mathias, e "A História de um Valente", de Nelson Cavaquinho.

Mathias, que faz uma piada a cada par de frases na entrevista por telefone à Gazeta do Povo, diz que é esse o clima que vai ser levado para o palco. "Meu samba é brejeiro, de pegada. Não canto samba lento. Se cantar lento, o pessoal pensa que é velório do sambista", brinca o sambista. Ele diz que costuma dar certo. "Para onde vou, eu volto", orgulha-se.

Curitibanos

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Antes do show de Mathias, que começa às 20 horas (veja a programação ao lado), bandas curitibanas se apresentam na Quadra Cultural. A cultuada Wandula abre os shows do evento, que segue com a "música de pirata" com cara de Leste Europeu do Confraria da Costa, o rock da Uh La La!, a festa judaica do Klezmorim e os sambas da Gente Boa da Melhor Qualidade.

Serviço

Quadra Cultural – Wandula, Confraria da Costa, Uh Lá Lá!, Klezmorim, Gente Boa da Melhor Qualidade e Germano Mathias. Em frente ao Torto Bar (R. Paula Gomes, 354), (41) 3027-6458. Hoje, das 11h às 20h. Entrada franca.