Wagner Moura não tem olhos azuis, contenção de gestos ou madeixas alouradas que aludam à imagem de um príncipe dinamarquês. Melhor assim. Não nega a latinidade ao desafiar-se a subir ao palco como a figura central da obra shakespeariana sobre o filho atormentado pelo fantasma do pai e a traição da mãe, ao casar-se com o tio assassino.
Na montagem de Hamlet regida pelo diretor Aderbal Freire-Filho e apresentada neste sábado e domingo, no Teatro Positivo , contracena com Tonico Pereira, Carla Ribas, Georgiana Góes e Caio Junqueira. "Nosso Hamlet é feito por artistas brasileiros, que têm em sua cultura a porta de entrada para o entendimento da tragédia de Shakespeare. Aqui as personagens se tocam sem medo", disse o ator em entrevista por e-mail à Gazeta do Povo. "Em nada atende o desejo dos que querem ver aquele dinamarquês frio, lourão e deprê."
As palavras do bardo chegam aos ouvidos limpas dos rebuscamentos de traduções anteriores, vertidas ao português pelos próprios Moura e Aderbal."A peça lança (como nenhuma outra obra de arte que eu conheça) uma centelha de alívio a perguntas que não têm respostas: de onde viemos, para onde vamos, o que somos, o que estamos fazendo aqui. Essa conversa se dá todos os dias quando piso no palco para dizer esse texto".
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