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DVD

O senso de obrigação em Sam Peckinpah

O diretor americano sinônimo de violência constrói um universo próprio no faroeste Pat Garret & Billy the Kid

  • PorIrinêo Baptista Netto
  • 22/08/2010 21:04
Coburn como Garret: capaz de dizer muito sem falar quase nada | Divulgação
Coburn como Garret: capaz de dizer muito sem falar quase nada| Foto: Divulgação

Pat Garret tem idade para ser pai de Billy the Kid. Na verdade, a relação dos dois é um pouco a de pai e filho.

Cansado da incerteza das aventuras, Garret busca algum sossego e aceita o convite para ser xerife na cidade onde quem manda é um certo governador Wallace e um fazendeiro endinheiro de nome Chisum, ambos desafetos antigos de Garret e Kid.

A questão de Pat Garret & Billy the Kid (1973), filmaço de Sam Peckinpah (1925-1984) que a Lume acaba de lançar em DVD, tem a ver com uma das primeiras tarefas de Garret como homem da lei: se livrar de Kid (Kris Kristofferson).

Os chefões esperam que Garret (James Coburn) o prenda ou mesmo o mate, mas ele o encontra para uma conversa, nos primeiros minutos da história, e pede que vá embora para o México e evite o pior.

Esse senso de obrigação é fascinante nos faroestes. Um homem tem que fazer aquilo que esperam dele.

A certa altura, Kid encontra um amigo e ex-comparsa que foi arrebanhado por Garret e transformado em delegado. Alamosa Bill é o nome do sujeito. A família de Alamosa recebe Kid em casa e à mesa. Todos terminam a refeição e só então Kid e Alamosa se levantam, vão para fora e, de costas um para o outro, iniciam um duelo (daqueles que, depois de dez passos, os dois se viram e atiram).

Antes, Kid pergunta se não existe outra forma de resolver a situação e Alamosa responde que não. "A lei é uma coisa engraçada", diz Kid.

Não há nuances. Os mocinhos caçam os bandidos, ainda que os critérios que fazem deles mocinhos ou bandidos sejam questionáveis. A lei é mesmo uma coisa engraçada.

A comunicação em Pat Garret & Billy the Kid é peculiar. Os personagens falam muito pouco com palavras, dando um peso extraordinário para um aceno de cabeça ou para o tempo que um encara o outro nos olhos. O diálogo-chave em que Garret pede que Kid vá embora dura vários minutos, mas pouquíssimas frases são ditas.

Essa é uma lógica própria do filme, cheio de silêncios e detalhes. Kid, num primeiro momento, acata o pedido de Garret e parte para o México. Viajando pelas terras de Chisum, encontra problemas suficientes para decidir voltar e enfrentar seu destino. O desfecho é trágico e arrebatador.

Peckinpah é o homem da violência no cinema dos anos 1960 e 70. Sob o Domínio do Medo (1971), com Dustin Hoffman, é apontado como um de seus trabalhos mais importantes. Dirigiu vários outros, inclusive Traga-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974), também lançado em DVD pela Lume.

Não dá para terminar o texto sem falar que Pat Garret & Billy the Kid tem a participação de Bob Dylan na trilha sonora e no papel de Alias, uma figura bizarra que manuseia facas como ninguém.

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