O cantor e compositor cearense Raimundo Fagner atribui à poesia o seu reconhecimento junto ao público| Foto:

O acaso pode ser apontado como um, e apenas um, dos responsáveis pelo DVD Raimundo Fagner ao Vivo, recém-lançado pela Sony BMG. Na noite de 28 de janeiro de 2000, o cantor e compositor cearense, acompanhado de um "timaço" de músicos profissionais, realizou apresentação ao ar livre no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza (CE).

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Em território natal (ele nasceu em Orós, interior cearense), com duas dezenas de hits, o show – que teve os 40 mil integrantes do público cantando – já havia rendido o álbum Raimundo Fagner ao Vivo, lançado em 2000. Então, ano passado, o "acaso" se encontrou com Fagner. O acaso se chamava, na ocasião, Rosemberg Cariry.

"O cineasta cearense Rosemberg havia filmado aquele show e eu não sabia. Ele me mostrou as imagens e apresentamos o material à gravadora, que aceitou viabilizar o DVD, lançado agora", conta Fagner, bastante satisfeito com o resultado. O título traz 20 das principais canções que tornaram Fagner um artista popular brasileiro. Há composições próprias, como "Asa Partida", parceria com Abel Silva, e canções de outros artistas, como "Sinal Fechado", de Paulinho da Viola; "Eternas Ondas", de Zé Ramalho; "Deslizes", de Michael Sullivan e Paulo Massadas, além de um dos maiores sucessos da carreira do artista cearense, "Borbulhas de Amor", versão que o poeta Ferreira Gullar fez para "Burbujas de Amor", do dominicano Juan Guerra.

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Poesia

Fagner afirma que a poesia o aproximou do público brasileiro. "Faço canções com melodia, mas, acima de tudo, com mensagem de qualidade", diz. Ele analisa que a mensagem, via letra, temperada poeticamente, é o que dá "colorido" ao seu repertório. Fagner salienta a parceria constante, e permanente, que estabelece com letristas e poetas. Fausto Nilo e Abel Silva são alguns deles. Mas também musicou textos de Florbela Espanca ("Fanatismo"), de Cecília Meirelles ("Canteiros") – além de cantar aquela adaptação de Ferreira Gullar, a mais do que famosa música que "borbulha": "Quem dera ser um peixe/ Para em teu límpido/ Aquário mergulhar/ Fazer borbulhas de amor/ Pra te encantar/ Passar a noite em claro/ Dentro de ti".

O artista cearense avisa que aceita receber, e recebe (muitas), sugestões de letras de todo o Brasil, sobretudo do Paraná. Fagner convida poetas paranaenses a encaminhar textos, sugestões de eventuais e, quem sabe, futuras parcerias para o e-mail ararena@ararena.com.br e/ou pelo telefone (85) 3264-2810. "Costumo ler tudo e dar retorno".

Missão do artista

Filho de um sírio radicado no Ceará, que gostava de cantar e que viveu 96 anos, Fagner canta desde a infância. "Nasci para ser cantor". Ele acredita que o artista deve ter compromisso com o público. "No Brasil, é o povo que elege o artista. Por isso, o artista não deve se deixar usar para alienar o povo, mesmo que (o artista) seja alienado", afirma. Fagner entende que, diante das mudanças no mercado fonográfico, via pirataria e downloads, os artistas precisam ajudar a reinventar a indústria. De que jeito? Ele mesmo ainda não sabe. E, em meio a novos ventos e safras recentes, cita dois compositores que considera importantes porque, a exemplo dele, valorizam o texto: Zeca Baleiro e Jorge Vercilo.

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Curitiba, meu amor

A turnê de divulgação deste DVD deve passar por Curitiba, entre outubro e novembro, em local a ser definido. Ele revela que analisa uma proposta da Orquestra Sinfônica do Paraná para realizar um espetáculo em conjunto. Fagner gosta de Curitiba, onde tem amigos e ainda fez investimentos na cidade: adquiriu ações do clube de futebol J. Malucelli. "Não vejo a hora de visitar Curitiba, para conviver com os amigos e, ainda, bater uma bolinha."