De surpresa, David Bowie voltou à cena após dez anos sem lançar um novo disco| Foto: Jimmy King/Divulgação

Exposição

David Bowie Is

Museu Victoria & Albert, em Londres. Inauguração no dia 23 de março. Em cartaz até 11 de agosto. Mais informações no site www.vam.ac.uk/content/exhibitions/david-bowie-is/

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Foto para a capa do álbum Aladdin Sane, de 1973, concebida por Brian Duffy, com maquiagem icônica de Pierre La Roche
Fotomontagem de divulgação do filme O Homem Que Caiu na Terra (1976)
Registro do fotógrafo John Rowlands durante a turnê do disco Station to Station, de 1976
Figurino do estilista japonês Kansai Yamamoto usado por Bowie na turnê de Aladdin Sane
Foto original da capa do álbum Earthlings (1997), em que Bowie usa um sobretudo criado por ele em parceria com o estilista britânico Alexander McQueen
Autorretrato de Bowie inspirado na capa de Heroes (1978)
David Bowie e o escritor William Burroughs (1914-1997) fotografados por Terry O’Neill em 1974
The Next Day - David Bowie. Columbia. Importado. US$ 9,99. Rock.
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Nada de avisos prévios, entrevistas ou campanhas publicitárias milionárias. Foi assim que David Robert Jones saiu do anonimato no qual mergulhou nos últimos sete anos e voltou a ser David Bowie. A estratégia que escolheu para que público e críticos só falassem dele nas últimas semanas não poderia ter sido mais acertada — como nos velhos tempos. Longe dos palcos desde 2006 e há dez anos sem produzir um novo álbum, seu retorno com o disco The Next Day, lançado no início do mês, só aumentou a expectativa em torno da primeira grande retrospectiva sobre a vida e a obra desse artista completo, que será apresentada como nunca se viu em David Bowie Is no Museu Victoria & Albert (V&A) de Londres a partir do próximo dia 23.

O tamanho da curiosidade dos fãs se mede pelos mais de 30 mil ingressos vendidos para a exposição antes mesmo da abertura. Trata-se de um recorde de vendas antecipadas para o V&A, que garante que não faltarão bilhetes para os interessados na estreia. A mesma procura deve se repetir no Brasil, primeiro país a receber a megaexposição na íntegra, em janeiro de 2014. Segundo informou Mônica Bergamo em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, o diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, André Sturm, esteve na capital inglesa no mês passado para acertar os detalhes da vinda da mostra.

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Para contar a vida de Bowie desde a década de 1960, quando ainda perseguia a fama, a curadoria do museu foi buscar 300 objetos, entre letras de músicas, roupas e outros artigos pessoais, nos arquivos de mais de 75 mil itens do artista, reunidos em Londres, Berlim e Nova York, cidades onde morou.

Ele permitiu o acesso irrestrito aos arquivos de sua vida, mas não se envolveu pessoalmente na seleção nem na organização da retrospectiva. E, à imprensa, não deu uma palavra.

"Foi um desafio limitar o número de peças para contar uma boa história! Também vamos oferecer o contexto para os objetos de Bowie a partir de obras de arte das coleções do V&A e de outras instituições. Ou seja, além do trabalho dele, vamos mostrar outros artistas e designers como Andy Warhol, Sonia Delaunay, Paolozzi, Derek Boshier e Carl Andre", diz Victoria Broackes, curadora da mostra.

Ícone

Animada com a repercussão da volta à cena de Bowie, desde 2006 longe dos palcos e que, com o recém-lançado The Next Day, encerrou um jejum de dez anos sem produzir um novo álbum, Victoria afirma que ele continua sendo um ícone, que inspirou outros artistas a desafiar as convenções e a perseguir a liberdade de expressão.

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"Mais do que nunca [ele é um ícone]. Agora está de volta com um novo álbum, lançado sem qualquer aviso em um mundo que já tinha praticamente desistido de ouvi-lo novamente. É um momento excepcional", destaca a curadora.

Entre as peças de Bowie em exibição estão o esboço que fez para uma roupa de Mark Ravitz que vestiu no programa Saturday Night Live na televisão americana, em 1979. O figurino foi inspirado na performance de Hugo Ball no Cabert Voltaire, na qual Ball precisou ser carregado para sua posição por membros da produção. Como ele, o performático Bowie foi carregado para sua posição pelos cantores Joey Arias e Klaus Nomi, de sua banda.

Outro exemplo da sua criatividade está no personagem Ziggy Stardust, que criou na década de 1970, e que Victoria considera uma amálgama do guerreiro samurai com o onnagata, ator do teatro kabuki japonês. Ou a Union Jacket (roupa inspirada na bandeira da Grã-Bretanha) do estilista Alexander McQueen em colaboração com Bowie para a capa do álbum Earthling (1997).

Para Victoria, uma das características mais fascinantes de Bowie é o fato de ter levado à audiência uma mistura eclética da cultura do século 20. Em seu trabalho há pitadas do expressionismo alemão, do surrealismo, do teatro de Brecht, filmes, musicais, literatura, filosofia, música francesa, da dança moderna e muito mais, segundo a curadora.

"E, ao absorver ideias do mundo ao seu redor e introduzi-las da sua maneira única e inovadora para um grande número de pessoas, ele tem um enorme impacto. A exposição vai falar não apenas deste efeito, mas também vai mostrar seus processos criativos na música, na composição das letras, vídeo e performances."

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Nascido em 1947, em Brixton, Londres, ele se afastou da vida pública dois anos após um ataque cardíaco e boatos de que estaria muito doente. O lançamento da faixa "Where Are We Now?" na internet, seguida do anúncio do novo álbum The Next Day, quando não se fazia ideia de que estava produzindo algo novo, só reforça a ideia de que Bowie nunca deixou de ser Bowie. Na faixa "The Stars (Are Out Tonight)", ele repete frases como as "estrelas nunca estão mortas", "vivemos perto da Terra", "as estrelas nunca estão longe", "elas nos assistem por trás das sombras". Ou ainda mais assertivo: "os mortos voltam a viver". Espera-se que sim, e com o mesmo vigor das suas melhores décadas.Galeria