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Desde que o longa-metragem O Adorável Trapalhão estreou em 1966 até a dissolução do núcleo original do grupo durante os anos 1990, os projetos com a assinatura de Os Trapalhões se mantiveram entre as mais bem sucedidas experiências do cinema brasileiro.

Segundo uma lista publicada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) entre 1971 e 1991, os filmes de Os Trapalhões, seja com o grupo completo ou estrelados apenas por Renato Aragão, emplacaram nada menos que 13 filmes entre as 20 maiores bilheterias do país. Neste período, 32 longas metragens estrelados pelo grupo ultrapassaram a barreira de um milhão de espectadores.

Um sucesso incontestável, sem igual na cinematografia nacional, que pode ser explicado por vários fatores: a qualidade artística do grupo como trupe de comédia e de Renato Aragão como homem de negócios visionário; o senso de oportunidade dos roteiros que não raro parodiavam os maiores sucessos do cinema internacional; e a ausência de concorrência no segmento.

Há também o contexto de exibição e distribuição de filmes do Brasil da época: o cinema era uma diversão popular, com milhares de salas nas capitais e no interior que vendiam ingressos a preços acessíveis.

Fórmula

Os longas lançados sob o selo da Renato Aragão Produções Artísticas obedeciam uma fórmula infalível, pois não deixavam escapar nenhuma destas circunstâncias, observa o jornalista Juliano Barreto, autor de Mussum Forevis (Leya, 2014) biografia do humorista que olha detidamente para a produção cinematográfica do grupo.

"Todos os filmes eram lançados em períodos de férias escolares, o que garantia a presença de público alvo, que era de crianças em um período em que elas tinham muito tempo livre e praticamente nenhuma opção nacional nos cinemas", avalia Barreto.

"As salas eram inundadas com as lucrativas pornochanchadas, e o público infanto-juvenil, proibido de assistir as cenas de sexo e nudez gerava uma demanda reprimida. Era um veio de ouro", conclui.

Em alguns de seus trabalhos mais lembrados, o grupo explorava a sátira de grandes sucessos de Hollywood, como As Minas do Rei Salomão, que virou Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão (1977), maior bilheteria da história do grupo.

Da mesma lógica vieram Star Wars, em Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1978), e O Mágico de Oz, em Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984) e outros.

O quarteto também tinha o cuidado de contracenar com nomes idolatrados pelo público, como Raul Cortez, Tarcísio Meira, Lucinha Lins e Edson Celulari. Até mesmo Pelé trocou passes com Didi dentro do estádio do Maracanã durante as filmagens de Os Trapalhões e o Rei do Futebol (1986).

Tanko

Muito deste sucesso também se deve à parceria de Renato Aragão com o diretor croata J. B. Tanko (1906-1993). Dos dez filmes de maior bilheteria do grupo, seis foram dirigidos por ele.

Josip Bogoslaw Tanko começou a trabalhar com cinema na Áustria na década de 1930. Durante a segunda guerra radicou-se no Rio de Janeiro, a partir de 1948.

Sua experiência no cinema logo o fez ser contratado pelo estúdios Atlântida, que ajudou a profissionalizar. Dirigiu e produziu uma série de filmes até que conheceu e firmou uma parceria com Renato Aragão durante as filmagens de Adorável Trapalhão (1967), o primeiro com o selo do grupo.

O impulso foi recíproco. Tanko dominava toda a técnica da produção de filmes e sabia se adaptar às dificuldades das produções. Dirigiu seu último filme, Os Fantasmas Trapalhões (1987) aos 81 anos. O cineasta faleceu seis anos depois, vítima de enfarto.

Retomada

O fim do ciclo vitoriosos de Os Trapalhões nas bilheterias foi marcado pela morte de Zacarias (1990) e de Mussum (1994). E coincidiu com um período de debacle da produção cinematográfica nacional, que também atingiria a indústria como um todo e a Renato Aragão Produções Artísticas.

Os Trapalhões e a Árvore da Juventude (1991), dirigido por José Alvarenga Júnior foi o último filme estrelado pela trupe. Depois da morte de Mussum, a dupla Didi e Dedé tentou prolongar a sua carreira cinematográfica, e se adaptar e à urgência de retorno nas bilheterias em um período complicado da economia brasileira. Para isso, buscou parcerias com nomes populares, como os apresentadores de programas infantis Angélica, Xuxa e Gugu Liberato.

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