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O britânico Richard Curtis parece escrever com o coração. Romântico e sentimental sem maiores pudores, o roteirista de "Quatro Casamentos e Um Funeral" e "Um Lugar Chamado Notting Hill", que com "Simplesmente Amor" também assumiu o posto de diretor, faz um cinema que é um verdadeiro antídoto contra o cinismo.

"Questão de Tempo", em cartaz desde esta sexta (20) nos cinemas brasileiros, não foge a essa regra. Pelo contrário: a leva às últimas consequências, desafiando o realismo, e abraçando a fantasia, mas sem nunca perder de vista a genuína humanidade que o cineasta atribui a seus personagens.

O protagonista da trama é o jovem advogado Tim (Domhnall Gleeson), um sujeito simpático, meio acanhado, que não faz um sucesso estrondoso com as mulheres, embora tenha o charme dos tímidos. Natural da região Cornuália, no sudoeste na Inglaterra, ele está prestes a se mudar de casa, para iniciar sua vida de adulto em Londres, quando o pai (Bill Nighy) lhe revela um segredo bombástico. Os homens de sua família têm o poder de viajar no tempo.

Primeiro assustado, e depois encantado com o dom de navegar nos ponteiros do relógio, podendo reparar pequenos erros, melhorar o já feito, Tim começa a utilizar a habilidade para os mais diversos fins, mas sobretudo para conseguir conquistar uma garota à altura de seus sonhos. A escolhida acaba sendo Mary (Rachel McAdams), uma editora de livros norte-americana radicada na capital da Grã-Bretanha.

Ao atravessar a fronteira do realismo, recorrendo a um artifício da fantasia, uma decisão sempre um tanto perigosa, Curtis corria o sério risco de errar na mão, ao acrescentar a sua receita de comédia romântica, já bastante adocicada, um ingrediente que poderia desandar a massa. E, de fato, as idas e vindas no tempo empreendidas por Tim por vezes se tornam repetitivas. Sorte que Questão de Tempo é mais do que esse truque narrativo.

O roteiro de Curtis acerta na construção dos personagens, e não apenas nos principais. São muito interessantes os coadjuvantes, como o excêntrico Tio D (Richard Cordery), que vive com os pais de Tim; Kit Kat (Lydia Wilson), a irmã maluquete do protagonista; e o irrascível dramaturgo Harry (Tom Hollander), com quem o rapaz vai morar ao se mudar para Londres.

Engraçado, romântico e, por fim, muito tocante, quando faz uma interessante reflexão sobre o amadurecimento e a família, Questão de Tempo defende a tese de que todo bônus têm seu ônus, e resulta em mais um filme de Curtis ao qual é difícil resistir. GGG1/2

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