Três cariocas estudantes de cinema têm a tarefa de realizar, até a manhã de segunda-feira, um curta-metragem de pelo menos 15 minutos. Nada demais se não fosse o prazo (48 horas) e a responsabilidade (exibir o trabalho para toda a América Latina). O cronômetro de Raphael Lemos da Fonseca, Diogo Ely de Oliveira e Mariúcha Borges Pereira começa a correr a partir deste sábado. Um dia depois de saberem que fariam parte da primeira edição do Projeto 48, do canal a cabo TNT, no Rio de Janeiro.
O Projeto 48 já foi realizado em países como México, Argentina, Chile e no próprio Brasil, com três edições em São Paulo. Trata-se de um reality-show sobre os bastidores da produção de curtas-metragens em toda a América Latina. Uma equipe da TNT acompanha o processo, desde a escolha do melhor roteiro, passando pela produção e as filmagens, até sua finalização.
O grupo vencedor, o Tô Chegando, foi escolhido entre 80 equipes ao apresentar um roteiro cuja primeira apresentação faz dele um projeto quase impossível de ser realizado em 48 horas. Segundo a integrante Mariúcha, a caçula da turma com 19 anos e diretora de arte do filme, eles vão contar o drama de uma família nordestina do início do século passado que sofre com a seca e vê no dinheiro dos cangaceiros a chance de sair da miséria.
Além do prazo, a equipe deve obedecer três premissas básicas do programa. A primeira foi dada aos quatro grupos finalistas. Cada um abriu uma lata de rolo de filme que continha dentro um gênero do cinema diferente. Coube ao Tô Chegando a tarefa de transformar seu roteiro dramático em suspense. Mudança feita, mudança vencedora. Depois, a segunda premissa: a praia no Rio de Janeiro deveria servir de cenário em algum momento do curta.
Nesta sexta-feira, único dia de pré-produção, os três souberam da última premissa: incluir um ritual de macumba no filme.
- Provavelmente teremos que colocar no hora que a refém dos cangaceiros foge ou a família espera a chuva no sertão e lembra do pedido que fez em um terreiro - contou Mariúcha, ainda em choque com mais uma mudança de última hora.
E será que o Tô Chegando conseguirá filmar esta mirabolante história em 48 horas?
- Até agora nunca aconteceu de um grupo não conseguir realizar o filme a tempo. Quando eles não fazem tudo que querem durante as filmagens, na edição tudo se resolve com criatividade - conta o diretor de criação do TNT e idealizador do projeto, o cineasta argentino Ariel Gumtern.
Aliás, criatividade é a qualidade que Ariel destaca nos aspirantes a cineastas em toda a América Latina. Mas há algumas diferenças. Principalmente entre argentinos e brasileiros.
- A maneira como enfrentam os problemas é diferente. Com os brasileiros, pode estar caindo o mundo que está tudo bem. O argentino precisar realizar tudo que planeja. Quando não consegue diz "não pode, é a essência do filme, não posso mudar". Brasileiro sempre dá um jeitinho.
O apresentador da edição carioca do Projeto 48 será Leandro Firmino da Hora, imortalizado pelo personagem de "Cidade de Deus", Zé Pequeno. Para o diretor de criação da TNT, Firmino é "o personagem do Rio". E famoso.
- Da outra vez que ele apresentou a edição paulista (as outras duas edições foram apresentadas por Maria Luísa Mendonça e Danton Mello) a equipe argentina toda queria tirar fotos com ele.
O resultado do Projeto 48 no Rio de Janeiro poderá ser visto a partir de novembro.







