Game of Thrones: promessa de novas e épicas batalhas| Foto: HBO/Divulgação

Com o fim do ano se aproximando, chega a hora de escrever as tradicionais listas de resoluções para o ano novo. E um bom jeito de nos tornarmos pessoas melhores, na família e no trabalho, é sabendo o que o ano promete de melhor em lançamentos para cinema, tevê, música e teatro.

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É claro que nenhuma relação de “mais antecipados” terá 100% de acertos ao longo do ano. Expectativas muito altas sempre trazem frustrações. Por isso, para evitar dissabores, é melhor ao menos tentar evitar aqueles lançamentos com maiores chances de decepção. No fim, é como a lista de resoluções pessoais: podemos ignorar a promessa daquela dieta que nunca começará se nos mantivermos fieis à resolução de dormir mais cedo ou de praticar mais exercícios.

1. Assistir à sétima temporada de Game of Thrones (porque é claro que sim)

Com o anúncio de que a adaptação da HBO para a saga criada por George R. R. Martin acabará em 2018, esta sétima temporada tornou-se, automaticamente, uma das mais aguardadas pelos fãs das famílias e criaturas de Westeros. Também porque a sexta temporada teve alguns dos maiores e mais premiados episódios de toda a trama, com altos cliffhangers (recurso do roteiro que aumenta a expectativa pela resolução de um confronto ou dilema) e, é claro, o adeus de personagens queridos. Inevitavelmente a saga caminha para seu desfecho. Logo, qualquer um que tenha acompanhado a história até este momento PRECISARÁ assistir a nova temporada da série.

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2. Ser surpreendido (para o bem ou para o mal) por Twin Peaks

A série criada por David Lynch e Mark Frost em 1991 tornou-se um cult ao longo das últimas décadas por sua mistura de caso de mistério com altas doses de surrealismo. A rigor, o mote “quem matou Laura Palmer?”, que moveu as duas únicas temporadas da série, no início dos anos 1990, foi resolvido no filme Twin Peaks: Fire Walk with Me, de 1992. Então não se sabe bem de onde Lynch e Frost partirão neste revival. Mas sabe-se o mais importante: estão de volta personagens como Shelly Johnson (Mädchen Amick), Big Ed Hurley (Everett McGill) e, como não poderia deixar de ser, o agente Dale Cooper, vivido por Kyle MacLachlan. Mais: grandes estrelas foram escaladas para participações na nova temporada, como Monica Belucci, Jim Belushi e Tim Roth e até músicos como Trent Reznor e Eddie Vedder.

3. Ficar feliz porque há histórias que terminam

Desde Lost, promissora série dos anos 2000 que sofreu (e muito!) com temporadas que esticaram a trama à exaustão, o público começou a perceber que há histórias que terminam melhor quando terminam mais cedo, sem necessidade de novas temporadas. O melhor exemplo deste ano foi The Night Of, minissérie da HBO que cumpriu muito bem o seu papel com começo, meio e fim em dez capítulos, mas que deixou algumas pontas soltas, abrindo o debate de realização de nova temporada. Por melhor que tenha sido, não precisamos de mais The Night Of. Ela deve descansar em paz e nós também por saber que há coisas que acabam.

4. Evitar reboots de gosto duvidoso

Muita gente feliz com o reboot de Gilmore Girls, mas pouca gente pode dizer o mesmo de Fuller House, reboot de Full House (no Brasil, Três é Demais), série de 1987 que fez muito sucesso nos Estados Unidos mas que no Brasil foi relegada a episódios exibidos na TV Colosso, da Rede Globo, e à programação intermitente do SBT nos anos 1990. Fuller House é o melhor exemplo de como nem todo produto feito para agradar os adictos em nostalgia sobrevive ao tempo, abusando da repetição de piadas e bordões que ficaram melhor no passado. Talvez se as gêmeas Ashley e Mary-Kate Olsen fossem escaladas as coisas seriam melhores.

5. Vibrar com reboots dos quais você duvidou

Poucos fãs de Blade Runner – O Caçador de Androides, clássico da ficção científica de Ridley Scott, de 1982, acharam uma boa ideia quando anunciaram para 2017 uma sequência do filme que definiu a expressão “futuro distópico”. Simplesmente não era necessário. Mas aí aprendemos a gostar dos filmes do diretor canadense Denis Villeneuve – especialmente de seu mais recente, A Chegada, um dos melhores do ano que passou. E bastou sair o primeiro trailer do reboot para a desconfiança dar lugar à ansiedade. Quem agora não quer ver Blade Runner 2049?

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Depois do novo trailer, a sequência de “Blade Runner” não parece mais uma má ideia

6. Saber escolher quais filmes de herói assistir

Coqueluche do cinema blockbuster na última década, todo ano há uma lista de novos filmes de super-heróis, dos universos Marvel e DC. Em 2017 não será diferente. Numa escala dos que podem agradar muito até os que devem, definitivamente, desagradar: Mulher Maravilha (Gal Gadot promete fazer jus ao primeiro filme com uma super-heroína protagonista); Guardiões da Galáxia 2 (tem a missão de superar a ótima surpresa que foi o primeiro, mas a expectativa é positiva); Thor 3: Ragnarok (direção do neo-zelandês Taika Waititi, conhecido por filmes independentes); Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Novo Homem-Aranha? Novo protagonista. Dessa vez o jovem Tom Holland, de O Impossível); Liga da Justiça (alguém precisa dar um toque em Zack Snyder); e Logan (o último Wolverine de Hugh Jackman, não se deixe enganar pelo trailer).

7. Curtir a pancadaria de John Wick 2

O primeiro John Wick, chamado no Brasil de De Volta ao Jogo, de 2014, foi uma grande surpresa. O filme que tirou Keanu Reeves do ostracismo (ou da tristeza, de acordo com o meme da internet), revelou-se um deleite para quem gosta de pancadaria e tiroteio (alguém não gosta?). Não demorou para anunciarem a continuação. John Wick: Um Novo Dia para Matar promete mais do mesmo: tiros e mortes. Além disso, já é parte da grande Escola Brasileira de Adaptações de Títulos. Afinal, Um Novo Dia para Matar é muito melhor que o insosso Chapter 2 (Capítulo 2) do original.

8. Não saber o que esperar do novo de Edgar Wright

O diretor inglês Edgar Wright é reconhecido como um dos mais criteriosos e inventivos de sua geração. O mundo o conhece por sua adaptação de Scott Pilgrim Contra o Mundo, de 2010, mas antes ele fez muito sucesso no cinema europeu em parcerias com o ator Simon Pegg nas comédias Chumbo Grosso, de 2007, e Todo Mundo Quase Morto, de 2004. Seu novo filme, Baby Driver, abandona a comédia e assume um tom de thriller, contando a história de um jovem piloto de fuga que se vê obrigado a trabalhar para um chefão do crime. A conferir.

9. Dar um tempo de Paulo Gustavo

Minha Mãe É uma Peça 2: O Filme estreia ainda no fim de 2016 e talvez as viagens de férias sejam uma boa desculpa para perder essa. Afinal, tudo que leva o selo do carequinha Paulo Gustavo tem a mesma cara: personagens histriônicos e afeminados com bordões batidos. Com vaga cativa no horário nobre do canal pago Multi Show, Paulo Gustavo precisa dar um tempo das telas para se reciclar e mostrar que pode fazer alguma coisa diferente.

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10. Torcer para que os novos grandes álbuns de rock não sejam os últimos em vida de seus autores

O ano de 2016 levou muita gente boa da música. David Bowie e Leonard Cohen serão ausências sentidas para os fãs de rock. Como nefasta coincidência, ambos lançaram grandes álbuns no fim de suas vidas: Bowie com Blackstar e Cohen com You Want it Darker. Não faltaram leituras de como ambos traziam mensagens da proximidade da morte e da finitude da vida. Outro roqueiro clássico lançou disco novo e não sofreu da mesma maldição. Iggy Pop agradou boa parte da crítica com seu Post Pop Depression e não deixou nosso plano astral. A lista de lançamentos de 2017 traz nomes como U2, Bruce Springsteen e The Jesus And Mary Chain. Mas não há de ser nada.

11. Questionar-se sobre seu verdadeiro amor ao sertanejo

O Brasil é sertanejo, o Paraná é sertanejo, Curitiba é sertaneja. Todas as listas confirmam: o que a gente gosta é mesmo de sertanejo. Não o de raiz, de música caipira, mas o sertanejo dito universitário, formado por duplas jovens que se vestem com roupas muito justas. Jorge & Mateus, Maiara & Maraísa, Marcos & Belutti, Henrique & Juliano dominaram as paradas com canções que celebram os excessos da juventude e, digamos, o amor, como no verso de “As Novinha Tão Sensacional”: “As novinha tão sensacional/ subindo gostosa prendendo legal/ descendo gostosa tá sensacional/ isso aqui tá gostoso tá fenomenal”. Permanecerá essa a onda de 2017?

Spotify prova: Curitiba é a cidade da música sertaneja

12. Dar uma chance a novas experiências no Festival de Teatro

O Festival de Teatro de Curitiba é diverso o suficiente para ofertar todo tipo de espetáculo teatral. Mas está em seu DNA que sempre haverá uma ou outra peça estrelada por ator global que, via de regra, será a primeira a ter os ingressos esgotados. Nada contra. Mas para quem aproveita o Festival para fazer uma rara incursão no mundo do teatro, vale expandir um pouco as possibilidades. Há grandes companhias brasileiras de teatro que marcam presença no Festival e que sempre trazem bons espetáculos para Curitiba. Procurar por peças vencedoras de prêmios da crítica em São Paulo ou no Rio de Janeiro é uma saída segura.

13. Evitar Shakespeare abrasileirado

Entra ano, sai ano, o teatro brasileiro premia o público com uma nova versão de alguma peça de Shakespeare “adaptada à realidade brasileira”. Aí tome Romeu e Julieta no morro, Otelo no nordeste, Hamlet gaúcho. A lista não acaba nunca. O que é estranho se considerarmos que o caráter universal da obra do dramaturgo inglês é universal justamente pelo que seus textos originais representam, não por uma leitura que adapta à realidade particular de cada plateia. Não precisamos deslocar os personagens clássicos para um cenário conhecido para que isso nos traga proximidade com a obra.

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